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Como responder a “és demasiado sensível” sem criar conflito ou afastar-te.

Dois homens conversam num café, gesticulando, com chávenas de café e um copo de água sobre a mesa.

Estás a meio de explicar algo que te magoou mesmo quando a outra pessoa suspira, revira os olhos e atira: “És demasiado sensível.”
A sala parece ficar mais pequena. A garganta aperta. De repente, a conversa já não é sobre o que aconteceu - é sobre o que há de errado contigo.

Defendes-te e arriscas soar dramático?
Ou retrais-te e passas o resto do dia a repetir cada palavra na tua cabeça?

Esta frase minúscula tem uma forma de reescrever a realidade em poucos segundos.
Pode fazer-te duvidar da tua própria perceção, mesmo quando sabes que não estás a imaginar coisas.

Há outra forma de responder.
Uma que não te transforma num capacho, nem numa bomba prestes a explodir.

Porque é que “és demasiado sensível” dói tanto

Quando alguém te diz “és demasiado sensível”, não está só a descrever o teu humor.
Está, discretamente, a colocar a tua reação na caixa do “problema”.

É um atalho que desvia a atenção do que a pessoa disse ou fez e a coloca em como tu te sentes.
De repente, a questão real fica difusa, e a tua resposta emocional passa a ser a história toda.

É por isso que o teu corpo reage primeiro.
Mandíbula cerrada, ombros tensos, coração um pouco mais acelerado.
O teu sistema reconhece uma ameaça: não à tua segurança, mas à tua sanidade.

Numa tarde de terça-feira num escritório em open space, um gestor faz uma “piada” sobre o sotaque de uma colega.
Ela encolhe-se e diz baixinho: “Isto não me pareceu bem.”
Ele ri-se e responde: “Uau, és demasiado sensível, era só uma piada.”

Duas pessoas na secretária ao lado ouvem a troca.
Ninguém se chega à frente.
Mais tarde, na sala de pausa, uma sussurra: “Também achei rude, mas não queria drama.”

Momentos destes vão-se acumulando - no trabalho, nas famílias, nos casais.
Não aparecem em estatísticas oficiais, mas moldam quem se sente autorizado a falar e quem, aos poucos, se cala.
Uma frase desvalorizadora de cada vez.

Por baixo de “és demasiado sensível” vive uma lógica silenciosa: o meu conforto importa mais do que a tua experiência.
A frase funciona como uma tampa sobre a conversa, a pressioná-la para baixo antes que possa respirar.

Enquadra a emoção como exagero em vez de informação.
Como se sentir-se magoado te tornasse automaticamente pouco fiável, em vez de humano.

A maioria das pessoas não o diz por maldade.
Dizem-no porque se sentem confrontadas, envergonhadas ou com medo de serem o “vilão”.
Então pegam na forma mais rápida de fazer esse desconforto desaparecer.

Compreender isto não o desculpa.
Apenas te dá um pouco mais de margem para te moveres dentro do momento, em vez de ficares paralisado nele.

As frases exatas que acalmam o fogo sem te calares

O primeiro passo acontece antes de abrires a boca: ganha dois segundos.
Expira devagar, mesmo que quase não se note.

Essa expiração diz ao teu corpo: eu posso ficar aqui.
Não para explodir. Não para desaparecer. Apenas para ficar.

Depois, podes recorrer a uma frase simples e firme.
Algo como: “Não sou demasiado sensível; só te estou a dizer como isso me caiu.”
Ou: “Os meus sentimentos não são o problema aqui. Estou a tentar explicar o que, para mim, não funcionou.”

Frases curtas, calmas, quase aborrecidas, são a tua arma secreta.
Não alimentam o drama.
Mantêm o foco no que importa.

Quando és apanhado desprevenido, o teu cérebro ou quer discutir o rótulo ou quer encerrar a cena.
Podes sentir vontade de enumerar todas as vezes em que esta pessoa te magoou. Ou de dizer “Esquece, não interessa” e engolir outra vez.

Ambos os caminhos deixam-te de ressaca.
Por isso, ajuda ter “linhas de apoio” preparadas antes de precisares delas.
Pequenos guiões que quase consegues dizer em piloto automático.

Aqui ficam algumas que te permitem manteres-te firme sem deitar gasolina no fogo:

  • “Não te estou a pedir que sintas o mesmo; estou a pedir-te que me ouças.”
  • “Percebo que vejas isso de forma diferente. Eu, ainda assim, senti-me magoado com o que disseste.”
  • “Estou a partilhar isto para nos entendermos melhor, não para te atacar.”

Não estás a tentar ganhar o debate.
Estás a ancorar-te na tua própria realidade.

  • Sê específico: “Quando disseste X, eu senti Y” é mais claro do que “Tu desvalorizas-me sempre”.
  • Mantém um tom baixo: fala um pouco mais devagar do que o habitual; sinaliza que não estás aqui para lutar.
  • Usa linguagem em primeira pessoa (“eu”): reduz a defensividade e mantém o foco na tua experiência.
  • Deixa o silêncio trabalhar por ti.
  • Afasta-te se for preciso: “Vamos fazer uma pausa, preciso de um momento” é, por vezes, a coisa mais corajosa que podes dizer.

Assumir a tua sensibilidade sem pedir desculpa por isso

A sensibilidade não é um defeito para justificar.
É dados. Diz-te o que importa, onde estão os teus limites e com quem é seguro seres tu próprio.

Quando alguém ataca essa parte de ti, não está só a criticar o teu estilo.
Está a testar quanto de ti estás disposto a abandonar para manter a paz.

Não tens de transformar o teu coração em pedra para seres levado a sério.
Só precisas de algumas ferramentas estáveis para o proteger.

Uma pequena mudança silenciosa altera muita coisa: em vez de te defenderes sobre se és “demasiado sensível”, fala do que realmente precisas naquele momento.

Pode soar assim:

  • “Preciso que leves a sério o que estou a dizer, mesmo que discordes.”
  • “Gostava que falássemos sobre o que aconteceu, não sobre a minha personalidade.”
  • “Preciso que confies que eu não estou a inventar isto.”

Estas frases movem a conversa do julgamento para o pedido.
De “estou avariado?” para “o que pode ser diferente entre nós?”

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.
Vais ter momentos desajeitados. Momentos em que choras, ou respondes torto, ou vais calado no carro a caminho de casa e pensas na resposta perfeita três horas tarde demais.

Isso não significa que falhaste.
Significa que estás a praticar uma nova forma de estares contigo.

Num dia em que tiveres mais energia, podes até dizer a alguém em quem confias: “Quando dizes que sou demasiado sensível, eu fecho-me. Da próxima vez, podes dizer-me o que queres dizer, em vez disso?”
Esse tipo de “falar verdade” pode mudar toda a textura de uma relação.

Num dia em que não tiveres, sobreviver ao momento é suficiente.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Recentrar a discussão Responder com frases curtas que trazem a conversa de volta ao facto, não ao teu caráter Evita ficares preso no papel de “demasiado sensível”
Manter a calma Respiração, tom sereno, direito a pausar quando a tensão sobe Permite manter credibilidade sem te anulares nem explodires
Formular uma necessidade clara Dizer o que esperas: ser ouvido, levado a sério, respeitado Transforma uma crítica vaga numa troca mais honesta e construtiva

FAQ:

  • E se eu bloquear e não disser nada no momento? Acontece a muita gente. Podes retomar mais tarde com uma mensagem ou com um “Há pouco, quando disseste que eu era demasiado sensível, eu senti-me desvalorizado e quero explicar porquê.” Continuas a ter direito a responder quando o teu cérebro já apanhou o comboio.
  • Alguma vez é aceitável simplesmente ir embora? Sim. Se a conversa continua a cair em desrespeito, um simples “Não vou continuar a falar se os meus sentimentos estão a ser desvalorizados” e dar um passo atrás é um limite válido, não um fracasso.
  • Como sei se estou mesmo a exagerar? Pergunta-te: este sentimento corresponde ao valor que foi pisado? Também podes confirmar com alguém de confiança que respeite as tuas emoções. Se estás aberto a feedback e, ainda assim, te sentes magoado, vale a pena escutar a tua reação.
  • E se a pessoa for um chefe ou um familiar que eu não posso evitar? Usa frases sem drama e foca-te no impacto: “Quando os meus sentimentos são chamados de ‘demasiado sensível’, torna-se mais difícil ser honesto contigo. Quero que comuniquemos melhor, por isso estou a pedir-te que me ouças.” Mantém-se respeitoso, mas firme.
  • Posso recuperar a palavra “sensível” de forma positiva? Absolutamente. Podes até dizer: “Eu sou sensível. Isso ajuda-me a reparar nas coisas e a importar-me profundamente. Ainda assim, preciso que os meus sentimentos sejam respeitados.” A sensibilidade pode ser uma força; não tens de a largar para seres levado a sério.

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