A nova arma de inverno do Lidl: o burburinho em torno de um aparelho “aprovado por Martin Lewis”
Nesta época do ano, voltam a aparecer mantas elétricas, almofadas térmicas e aquecedores pequenos. O “gadget” do Lidl que chega na próxima semana está a dar que falar por alinhar com uma ideia popularizada por Martin Lewis (especialista britânico em finanças pessoais): aquecer a pessoa, não a casa - calor direcionado e baixa potência.
A questão não é “magia”. É contas e controlo. Aquecer divisões com 1500–2000 W faz o consumo subir muito mais depressa do que usar um aparelho de 100–200 W perto do corpo. Em Portugal, onde o preço do kWh pode variar bastante consoante tarifa e descontos, esta diferença tende a refletir-se na fatura.
Regra rápida para não ficar a adivinhar:
- Custo por hora (€) = (W ÷ 1000) × preço do kWh
Ex.: 200 W durante 1 h = 0,2 kWh. Se pagar 0,25 €/kWh, dá ~0,05 €/h.
(Confirme o seu preço na fatura; em bi-horária o custo pode mudar conforme a hora.)
Antes de comprar “porque foi recomendado”:
- Muitas vezes a expressão “aprovado por” é amplificada nas redes sociais, e não um selo formal. O valor está na lógica: menos watts + uso com intenção = menos euros.
- Potência baixa pode dar conforto junto ao corpo, mas não substitui aquecer o ar de uma divisão (nem resolve uma casa fria e húmida). É uma escolha: conforto pontual vs. conforto “de ambiente”.
Como usar, de facto, este aparelho do Lidl “à Martin Lewis”
A poupança raramente está apenas no preço de compra; está no comportamento. O método “à Martin Lewis” passa por criar zonas de calor: secretária, sofá, cama - e só aquecer a divisão quando for mesmo preciso.
Uso prático (simples e eficaz):
- Ligue quando se senta e desligue quando sai (evita horas a funcionar “em vazio”).
- Faça blocos curtos (20–40 min) e ajuste; muitas vezes o conforto chega antes de “aquecer a casa”.
- Combine com camadas (camisola, meias, manta). Quanto melhor reter o calor, menos watts são necessários.
O erro comum: deixar o aquecedor maior/termostato ligado “por rotina” e usar o gadget como complemento. Costuma resultar melhor fazer o inverso:
- Comece pelo calor local.
- Espere 15–20 minutos.
- Só depois decida se precisa mesmo de aquecer a divisão.
Detalhes que fazem diferença (segurança + realidade):
- Etiqueta e funções: confirme potência (W), níveis, temporizador e corte automático. Para manta/almofada, prefira modelos com desligar automático - e não durma com o aparelho ligado a noite inteira, a menos que o fabricante o permita de forma clara.
- Tomadas e extensões: evite extensões frágeis, fichas múltiplas sobrecarregadas e cabos enrolados. Se a ficha aquecer, houver cheiro a plástico, o cabo ficar quente ou o disjuntor disparar, pare e mude a tomada/uso.
- Não “prense” o calor: não utilize mantas/almofadas dobradas ou esmagadas por cima (ex.: com almofadas pesadas), porque pode concentrar calor e aumentar o risco de avaria/sobreaquecimento.
- Humidade e bolor: aquecer só a pessoa pode manter o ar da casa frio e favorecer condensação. Areje 5–10 min/dia (idealmente com ventilação cruzada). Em muitas casas, 40–60% de humidade é uma zona confortável; se os vidros estão sempre a “chorar”, pode ser necessário ajustar ventilação, fontes de vapor (banhos/cozinha) e, nalguns casos, desumidificação.
- Potência contratada e picos: aparelhos pequenos ajudam a reduzir picos quando já há forno, termoacumulador ou máquina a trabalhar - mas não é garantia. Faça a soma mental do que está ligado em simultâneo.
Se quer confirmar se compensa, experimente uma semana “com método”: compare dias semelhantes e veja leituras do contador (ou a app do fornecedor) antes/depois. Sem medir, é fácil confundir conforto com poupança.
O que este lançamento do Lidl diz realmente sobre a forma como vamos aquecer as nossas casas
Um produto destes no corredor do meio não é apenas mais uma promoção: espelha uma mudança prática. Muita gente está a trocar o objetivo de “casa sempre quente” por microconfortos - calor onde faz falta, quando faz falta.
Há vantagens claras (custos mais controláveis, resposta rápida, menos dependência de aquecer várias divisões) e limites relevantes (não resolve humidade, não aquece bem a casa toda, não substitui isolamento/vedações nem a gestão de correntes de ar). Ainda assim, para muitos lares, traz algo útil: mais controlo e menos “surpresas”.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para o leitor |
|---|---|---|
| O aquecimento direcionado é melhor do que aquecer a casa toda | Calor local com baixa potência pode sair muito mais barato do que manter divisões a aquecer durante horas | Conforto onde importa, com consumo mais previsível e fácil de gerir |
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