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Pulgas no cao ou gato porque voltam e como acabar com elas de vez em casa

Pessoa a aspirar um tapete com um cão deitado ao lado e uma cesta de toalhas à direita.

O momento em que percebe que não são só picadas

Começa com “uma picada aqui e outra ali” e, de repente, vê um ponto escuro a saltar no pelo. Quando isso acontece, quase nunca é um episódio isolado: já há um ciclo montado.

Sinais que costumam bater certo:

  • Comichão persistente no animal, sobretudo na base da cauda, barriga e virilhas (muitos ficam mais inquietos e dormem pior).
  • Em humanos, picadas em pequenos grupos, muitas vezes nos tornozelos e canelas.
  • Sofá, alcatifas/tapetes e mantas “parecem ter qualquer coisa” (e muitas vezes têm mesmo).

O pormenor que muda tudo: quando já vê pulgas adultas, normalmente já existem ovos, larvas e pupas espalhados pela casa. É isso que dá a sensação de que “voltam”.

Porque é que as pulgas voltam (mesmo depois do banho)

O banho pode reduzir pulgas adultas no momento, mas raramente resolve o que está a desenvolver-se no ambiente. E é aí que a reinfestação ganha.

O ciclo de vida acontece mais no chão do que no animal

As adultas vivem no animal, mas a maior parte da infestação está fora dele (ovos, larvas e pupas). Em muitos casos, a sequência é:

  • Adultas: alimentam-se e põem ovos no animal (muitas começam a pôr ovos 24–48 h após a primeira refeição).
  • Ovos: caem para o ambiente (cama do animal, sofá, tapetes/alcatifas, fendas no chão).
  • Larvas: fogem da luz e alimentam-se de detritos (incluindo fezes de pulga).
  • Pupas (casulos): fase mais resistente; podem “esperar” semanas (por vezes mais, sobretudo com tempo fresco e seco).
  • Novas adultas: eclodem com vibração, calor e CO₂ (pessoas/animais a circular).

Regra prática: mesmo com tudo bem feito, é comum ver “aparecimentos” durante 2–4 semanas, porque as pupas não eclodem todas ao mesmo tempo. Com tempo quente e húmido, o ciclo tende a acelerar.

A casa tem “pontos quentes” que repetem a infestação

As pulgas concentram-se onde há mais descanso e passagem: cantos de alcatifas/tapetes, fendas do sofá, debaixo da cama, rodapés e zonas abrigadas. Em casas portuguesas com soalhos flutuantes ou mosaico, as fendas/rodapés continuam a ser um refúgio comum.

Um detalhe enganador: quando começa a limpar a sério, pode parecer que piorou. Aspirar e mexer em têxteis “acorda” pupas e traz pulgas à vista - o que até ajuda, desde que o animal esteja protegido com um tratamento eficaz (as adultas eclodem, saltam para o animal e acabam por morrer).

O erro clássico: tratar só o animal (e deixar a casa a incubar)

Tratar apenas o cão/gato resolve o que se vê no pelo, mas não elimina o “viveiro” no ambiente. Resultado: o animal volta a apanhar pulgas rapidamente.

O que costuma falhar:

  • Dar banho e ficar por aí (efeito curto).
  • Trocar coleira/pipeta, mas não lavar mantas/camas nem aspirar fendas e rodapés.
  • Fazer uma limpeza grande num dia e depois abrandar quando ainda há pupas a eclodir.
  • Usar “remédios caseiros” como plano principal (raramente quebram o ciclo).

Se a casa não entra no plano, ganha a batalha do pelo e perde a guerra do chão.

Um plano de ataque realista (48 horas para virar o jogo)

Não precisa de exagerar: precisa de ordem e consistência. Nas primeiras 48 horas, o objetivo é reduzir adultas no animal e baixar ovos/larvas no ambiente.

1) No mesmo dia: tratar o animal com algo que funcione mesmo

Escolha um tratamento veterinário adequado à espécie, idade e peso. Em geral, tende a resultar melhor:

  • Pipetas spot-on ou comprimidos (muitos têm ação rápida contra adultas).
  • Se possível, uma opção com impacto no ciclo (ou combinada com medidas ambientais).

Para evitar recaídas:

  • Se tem cão e gato, trate os dois no mesmo dia (mesmo que um “não pareça ter”).
  • Nunca use produto de cão em gatos (alguns princípios ativos, como certos piretróides/permethrin, podem ser perigosos para gatos).
  • Evite banhos nas 48 h antes/depois de algumas pipetas (pode reduzir a eficácia; confirme no rótulo/veterinário).
  • Se houver dermatite/alergia à picada de pulga, tratar cedo reduz semanas de comichão mesmo depois de as pulgas morrerem.
  • Extra útil: pulgas podem estar associadas a ténia (o animal pode infetar-se ao ingerir pulgas). Se viu “grãos de arroz” nas fezes/pêlo, fale com o veterinário sobre desparasitação interna.

2) Nas primeiras 24 horas: lavar têxteis com calor (e sem dó)

Lave tudo o que o animal usa e onde se deita: camas, mantas, capas, almofadas, tapetes pequenos, roupa de cama (se o animal lá sobe).

Se o tecido permitir, 60 ºC é uma boa referência. Se não permitir, use a temperatura máxima segura e compense com secagem completa (máquina de secar ajuda). O foco é calor + secura para reduzir ovos/larvas.

Erro comum: lavar “só a caminha” e esquecer a capa do sofá ou a manta favorita - muitas vezes é aí que está o foco principal.

3) Aspirar como se a aspiração fosse o tratamento (porque é)

Aqui, aspirar é estratégia, não estética. Vá devagar e foque as zonas críticas:

  • Tapetes/alcatifas (passagens cruzadas, sem pressa).
  • Sofá (fendas, costuras e por baixo das almofadas).
  • Rodapés, cantos, debaixo de camas e móveis onde o animal passa.

No fim:

  • Se tiver saco, feche bem e coloque no lixo do exterior.
  • Se for depósito, esvazie fora de casa e lave o recipiente (e, se aplicável, o filtro).

Dica prática: uma escova rotativa ajuda em alcatifas, mas o essencial é a regularidade. E não ignore divisões “secundárias” onde o animal às vezes dorme.

4) Se precisar de insecticida ambiental: escolha o alvo e respeite regras

Em infestações persistentes, um produto para o ambiente pode ajudar, idealmente com regulador de crescimento (IGR) para travar ovos/larvas (ex.: pyriproxyfen ou methoprene, conforme disponível). Use com cautela:

  • Aplique apenas onde faz sentido (zonas de descanso e passagem do animal).
  • Ventile bem e respeite o tempo indicado antes de voltar a entrar.
  • Não pulverize taças, brinquedos, arranhadores, nem diretamente no animal.
  • Se houver aquários, cubra e evite aerossóis na mesma divisão.
  • Em geral, é melhor aspirar primeiro e aplicar depois (assim o produto chega mais ao “alvo” em vez de ficar só à superfície de pó/fiapos).

Evite “bombas”/nebulizadores como solução única: muitas vezes não chegam às fendas e debaixo de móveis (onde o problema está). Se há bebés, asmáticos, grávidas, gatos sensíveis, ou se não consegue cumprir o rótulo à risca, pode ser mais seguro pedir orientação ao veterinário ou contratar controlo de pragas.

O que fazer nas 2–4 semanas seguintes (a parte que decide se volta ou não)

É aqui que se ganha ou perde. As pupas podem continuar a eclodir durante algum tempo, mesmo com tudo “bem feito”.

  • Aspirar 3–4 vezes por semana nas primeiras 2 semanas; depois reduza se deixarem de haver sinais.
  • Lavar semanalmente mantas/camas do animal durante pelo menos 3 semanas.
  • Manter o tratamento do animal sem falhas (atrasos de poucos dias podem reabrir o ciclo, sobretudo em tempo quente e húmido).
  • Se houver jardim/terraço, reduza locais húmidos e com detritos onde o animal repousa (folhas acumuladas, cantos sombrios, casotas com tecido velho).

Regra prática: quando achar que acabou, mantenha o ritmo mais 1–2 semanas. É isto que evita o “voltou do nada”.

Pequeno mapa da casa: onde elas se escondem e o que resulta

Zona O que fazer Frequência (início)
Sofá e cadeirões Aspirar fendas + lavar capas 3–4x/semana
Cama do animal Lavar a quente + secar bem 1x/semana
Tapetes/alcatifas Aspirar devagar, cantos e rodapés 3–4x/semana

A parte emocional: quando a casa deixa de “cheirar a descanso”

Pulgas mexem com a pele e com a cabeça: começa a “vigiar” o chão, o sofá e o animal. Isso é normal - e também passa.

Quando o plano está a resultar, a mudança é discreta: menos coçar, sono mais profundo, e a casa volta a parecer sua. Não é perfeição num dia; é consistência durante semanas.

FAQ:

  • As pulgas podem viver em humanos? Podem morder humanos, mas preferem animais. O problema costuma manter-se porque o ambiente (ovos/larvas/pupas) continua ativo, não porque “ficaram em si”.
  • Se eu tratar o animal hoje, quando é que isto fica resolvido? Muitas situações melhoram em 48–72 horas, mas o controlo completo pode exigir 2–4 semanas de aspiração e lavagem consistentes, por causa das pupas.
  • Aspirar não espalha ovos? Em geral, aspirar ajuda: remove ovos/larvas e pode “forçar” a eclosão de pupas para que as adultas encontrem um animal tratado e morram. O essencial é descartar o conteúdo do aspirador corretamente.
  • Remédios caseiros (vinagre, óleos, limão) resultam? Podem ter efeito limitado (sobretudo como limpeza), mas raramente quebram o ciclo. Para acabar “de vez”, normalmente precisa de tratamento eficaz no animal + higiene ambiental repetida.
  • Quando devo chamar uma empresa de controlo de pragas? Se, após 2–3 semanas de tratamento do animal + limpeza consistente, continua a ver pulgas adultas diariamente, ou se a infestação é grande e difícil de gerir (muita alcatifa, vários animais, alergias).

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