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Tarte salgada de bacon e feijao verde cremosa por dentro e estaladica por fora

Quiche recheada com bacon e vegetais, servida em fatia. Ao fundo, um ramequim de molho e feijões-verdes.

Entre jantares de semana em modo “desenrasque”, esta tarte é prática e fiável: cremosa por dentro, dourada por fora, boa quente ou à temperatura ambiente e fácil de fatiar.

Quase todos os “fundos molhados” têm duas causas: legumes com água a mais e base sem pré-cozedura. Resolvido isto (secar bem + blind bake), o recheio assenta e a base mantém-se firme.

O segredo da base estaladiça (mesmo com recheio húmido)

A base encharca quando a massa não chega a secar ou quando os legumes libertam água no forno. O objetivo é entrar com a massa já cozida e criar uma barreira fina antes do creme.

Massa quebrada costuma ser a escolha mais segura (mais estável e corta melhor). A folhada fica muito crocante, mas é mais frágil: abre nas laterais e “esfarela” ao cortar.

Para garantir que resulta (sobretudo em tarteira de vidro/cerâmica, que aquece mais devagar):

  • Pique o fundo (sem atravessar até à tarteira) para evitar bolhas.
  • Se puder, leve a tarteira forrada 10 min ao frigorífico: a massa encolhe menos.
  • Pré-coza com peso 12 min e termine sem peso mais 5 min, até perder o aspeto húmido (feijões secos/arroz funcionam como peso).
  • Para ajudar a estalar, ponha a tarteira sobre um tabuleiro já bem quente (pré-aquecido no forno).
  • Barreira rápida (opcional): pincele com clara de ovo e leve 1 min ao forno, ou polvilhe uma camada muito fina de pão ralado.

Recheio cremoso (sem ficar aguado)

O feijão-verde deve ir para o forno meio cozido e muito bem seco. Se entrar húmido, liberta água e afina o creme.

Compensa alourar o bacon antes: ganha sabor e evita textura “cozida” no recheio. Se soltar muita gordura, escorra e reserve só 1–2 c. sopa para a cebola (o resto deixa a tarte pesada).

No creme, a base é ovos + natas + (queijo). Natas “para bater” (≈30–35% gordura) dão mais estrutura; versões leves tendem a ficar menos firmes. Se reduzir a gordura (ex.: metade natas, metade leite), conte com um pouco mais de tempo de forno e mantenha algum queijo para ajudar a ligar. Misture só até homogéneo: bater demais incorpora ar, cria bolhas e pode secar mais depressa.

Ponto de cozedura prático: topo dourado e centro firme com ligeira oscilação. Se usar termómetro, muitas vezes fica no ponto perto de ~75–80 °C no centro.

Ingredientes (tarteira 24 cm)

  • 1 base de massa quebrada (ou folhada)
  • 200–250 g de bacon em tiras/cubos
  • 250–300 g de feijão-verde (arranjado)
  • 4 ovos
  • 200 ml de natas (ou crème fraîche)
  • 80–120 g de queijo ralado (emmental, mozzarella, flamengo curado)
  • 1 cebola pequena (opcional), em meias-luas finas
  • 1 c. chá de mostarda Dijon (opcional)
  • Sal e pimenta q.b.
  • Noz-moscada (uma pitada)

Como fazer (passo a passo)

  1. Aqueça o forno a 200 °C (ventilado 190 °C). Forre a tarteira e pique o fundo.
  2. Pré-coza a base: papel vegetal + peso. Forno 12 min; retire peso/papel e leve mais 5 min para secar.
  3. Feijão-verde: escalde 3–4 min em água a ferver com sal (verde vivo, ainda firme). Passe por água fria, escorra e seque muito bem (pano/papel + alguns minutos ao ar; se necessário, salteie 1–2 min para evaporar).
  4. Bacon: salteie até bem dourado. Se usar cebola, amoleça-a na gordura reservada 2–3 min.
  5. Creme: misture ovos, natas, mostarda, pimenta e noz-moscada. Sal com cuidado (bacon + queijo já são salgados).
  6. Monte: espalhe bacon/cebola e feijão. Junte o queijo e verta o creme sem encher demais (deixe 3–5 mm até à borda).
  7. Coza 25–35 min a 190–200 °C, até dourar e o centro ficar firme com ligeira oscilação. Se alourar cedo, cubra com alumínio.
  8. Descanse 10 min antes de cortar (20 min para fatias mais limpas): é aqui que o creme termina de assentar.
Etapa Temperatura Tempo
Pré-cozer base 200 °C 12 min + 5 min
Cozedura final 190–200 °C 25–35 min
Descanso - 10 min

Erros comuns (e como evitar)

  • Fundo mole: não salte a pré-cozedura; se a base ainda estiver pálida/húmida, dê +2–3 min sem peso antes do recheio.
  • Recheio aguado: feijão-verde mal seco é o culpado n.º 1; evite também tapar a tarte quente (condensação = água).
  • Parte ao cortar: cortar a ferver “abre” o creme; respeite o descanso (na folhada, uma faca serrilhada ajuda).
  • Demasiado sal: ajuste no fim; bacon e queijo concentram sal durante a cozedura.
  • Secou/rachou: forno forte ou tempo a mais. Retire quando o centro ainda oscila ligeiramente - endurece ao arrefecer.

Variações rápidas que resultam

  • Com cogumelos: salteie até a água evaporar; só depois junte ao recheio.
  • Com alho-francês: substitui a cebola e fica mais suave; salteie antes.
  • Mais leve: metade natas, metade leite; mantenha algum queijo e, em muitos casos, conte com +5 min de forno.
  • Toque picante: piri-piri no creme ou uma pitada de paprika fumada.

Como servir e guardar

Sirva com salada mais ácida (rúcula, tomate, vinagrete de limão) para cortar a gordura do bacon.

  • Frigorífico: bem tapada, até 3 dias. Deixe arrefecer e guarde idealmente até 2 horas depois de sair do forno.
  • Reaquecer para recuperar crocância: forno 170–180 °C, 10–15 min (melhor numa grelha). No micro-ondas aquece depressa, mas amolece a base.

FAQ:

  • Posso fazer com antecedência? Sim. Pré-coza a base e deixe bacon e feijão preparados no dia anterior. No dia, faça o creme, monte e leve ao forno.
  • Dá para congelar? Dá. Congele em fatias, bem embrulhadas, até 2 meses. Ao descongelar, o creme pode ficar um pouco mais granuloso; reaqueça no forno para melhorar a textura.
  • Como sei que está pronta sem secar demais? Topo dourado e centro firme com ligeira oscilação (ou ~75–80 °C no centro). Se estiver líquido, dê mais 5 min; se rachar muito, passou do ponto.
  • Que massa é melhor: quebrada ou folhada? Quebrada corta melhor e aguenta melhor o creme. Folhada fica mais estaladiça, mas é mais frágil e pede corte mais cuidadoso.

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