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Aviso de tempestade de inverno: até 1,5 metro de neve este fim de semana pode causar graves problemas de trânsito e cortes de eletricidade.

Homem com casaco laranja a limpar neve ao lado de um carro coberto de neve, com rádio e lanterna na calçada.

O céu escurece mais depressa nestes cenários: avisos a tocar no telemóvel, filas na bomba e o supermercado a ficar sem pão, pilhas e água. O número na previsão (até 1,5 m nas cotas mais altas) é o que muda tudo: deixa de ser “nevar um pouco” e passa a ser um fim de semana em que contam decisões práticas.

Até 60 polegadas a caminho: quando uma tempestade de neve deixa de ser normal

“60 polegadas” equivalem a cerca de 1,5 m - um valor que, em Portugal, só se encaixa em situações muito fora do comum e quase sempre em altitude (por exemplo, zonas de montanha). Ainda assim, para a maioria das pessoas, o impacto costuma vir de bem menos: 10–30 cm de neve pesada chegam para bloquear ruas, criar gelo e travar transportes.

A questão não é só a altura da neve; é a combinação:

  • Neve húmida + vento: cria “montes” (acumulação por deriva) e fica colada a árvores e cabos, aumentando o risco de quedas e cortes de energia.
  • Oscilações de temperatura: derrete durante o dia e volta a congelar à noite, formando gelo negro em estradas e passeios.
  • Evento lento (várias vagas): limpar uma vez não chega; volta a acumular e a compactar.

Na prática: se existir aviso do IPMA e a Proteção Civil estiver a pedir contenção nas deslocações, conte com atrasos, cortes pontuais e estradas condicionadas, sobretudo em acessos a serras e vias secundárias. E não esqueça: muitas “estradas abertas” continuam a ser estradas perigosas.

Como atravessar um fim de semana de 60 polegadas sem perder a cabeça

Faça um check rápido, sem alarmismo, a pensar em 72 horas com mobilidade reduzida.

Comece pelo essencial que normalmente falha primeiro: energia, aquecimento e água. Tenha comida que não dependa de forno/micro-ondas e água suficiente (regra simples: ~2 L por pessoa/dia, mais para bebés e animais). Se toma medicação diária ou depende de dispositivos médicos elétricos, antecipe-se (doses extra, baterias, contactos).

Aquecimento: aposte em camadas (roupa + manta) e foque-se numa divisão. Se faltar a eletricidade, evite improvisos arriscados:

  • Nunca use grelhadores/churrasqueiras, fogareiros a carvão ou geradores dentro de casa/garagem (risco real de monóxido de carbono).
  • Se tiver lareira/salamandra, confirme a tiragem e garanta lenha seca; fumo a regressar para dentro é sinal para parar e ventilar.

Prepare a casa para o gelo: sal grosso ou areia para degraus e entrada (não faz milagres, mas ajuda a reduzir escorregadelas). E veja o carro como “plano B”: depósito acima de meio, limpa-vidros de inverno, manta, lanterna e carregador no isqueiro. Em zonas de montanha, correntes podem ser a diferença entre passar ou ficar imobilizado - e devem ser experimentadas antes, em seco.

“O risco não é só a neve; é o efeito dominó: estradas → eletricidade → abastecimento. O que fizer 24 horas antes define quão complicado fica.”

Algumas medidas com melhor retorno:

  • Carregue tudo com antecedência (telemóvel, power bank, portátil) e depois poupe bateria (modo de baixo consumo).
  • Estacione com critério: fora da rua, longe de árvores e de zonas onde a neve das limpezas tende a acumular.
  • Tenha uma reserva “sem cozinhar”: conservas com abre-fácil, bolachas, fruta, atum, manteiga de amendoim, leite UHT.
  • Combine um “check-in” com vizinhos/família (idosos, pessoas isoladas) antes de piorar.
  • Corte no ruído de alertas: escolha 1–2 fontes (IPMA + Proteção Civil) e defina horários para consultar.

Depois da tempestade: o que este tipo de neve realmente deixa para trás

Quando o aviso termina, o risco muitas vezes não acaba. Neve compactada transforma-se em gelo; o degelo entra em garagens e caves; e o peso acumulado pode partir ramos dias depois.

Alguns cuidados que evitam acidentes frequentes:

  • Escorregadelas: trate primeiro das zonas de passagem (porta, escadas, acesso ao contentor do lixo). Passos curtos, sola com aderência.
  • Pá e esforço: neve húmida pesa muito; limpe por etapas e faça pausas (muitos incidentes acontecem por esforço excessivo).
  • Telhados e árvores: não suba ao telhado em condições instáveis. Se notar rachas, estalidos, portas/janelas a prender, ou ramos grandes tensionados sobre cabos, afaste-se e peça ajuda.
  • Canos e infiltrações: após cortes de energia/frio intenso, esteja atento a sinais de cano rebentado (manchas, queda de pressão). Saber onde fechar a água pode evitar danos maiores.

No fim, fica o lado prático (limpezas, atrasos, perdas) e o lado humano: quem ficou sem luz, quem não conseguiu ir trabalhar, quem precisou de apoio. Um pouco de preparação costuma ser o que separa “chato” de “perigoso”.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Intensidade da tempestade Até 60 polegadas (≈1,5 m) em altitude; em cotas mais baixas, 10–30 cm de neve húmida + vento chegam para gerar gelo e bloqueios Ajuda a calibrar expectativas: pouca neve pode causar grandes perturbações
Impacto nas viagens Condicionamentos, gelo negro, possíveis cortes de acessos a zonas de serra; atrasos e cancelamentos Incentiva a antecipar deslocações e a evitar o “só vou ver como está”
Eletricidade e preparação em casa Cortes localizados por ramos/cabos; necessidade de água, comida sem cozinhar, aquecimento seguro e baterias Dá passos concretos para ficar mais seguro e menos dependente de respostas de emergência

FAQ:

  • Pergunta 1 Durante quanto tempo pode durar, na prática, uma tempestade que deixa até 60 polegadas de neve?
    Resposta: Muitas vezes não é uma única “pancada”: pode chegar em vagas ao longo de 2–3 dias, com pausas e novo agravamento. Mesmo quando deixa de nevar, o gelo e os bloqueios podem prolongar-se.

  • Pergunta 2 É seguro conduzir se, tecnicamente, as estradas ainda estiverem abertas durante o aviso?
    Resposta: “Aberta” não quer dizer “segura”. Com neve a cair, vento forte ou temperaturas perto de 0 ºC, conte com gelo negro e pouca visibilidade. Se não for indispensável, adie; se for, leve correntes (em montanha), combustível e kit básico.

  • Pergunta 3 O que devo fazer se faltar a luz e eu não tiver um gerador?
    Resposta: Aposte em calor por camadas, feche divisões, use lanternas (evite velas, se possível) e mantenha o frigorífico fechado. Não use fontes de combustão no interior; para informação, um rádio a pilhas pode ser mais fiável do que a internet.

  • Pergunta 4 Neve pesada como esta pode danificar o meu telhado ou as árvores à volta da minha casa?
    Resposta: Pode, sobretudo se for neve húmida (bem mais pesada). Sinais de alerta: deformações visíveis, estalos, infiltrações novas, ramos a baixar sobre cabos. Em dúvida, isole a zona e peça avaliação.

  • Pergunta 5 Qual é a melhor forma de me manter informado sem ficar sobrecarregado com alertas constantes?
    Resposta: Escolha uma fonte meteorológica oficial e uma fonte operacional (ex.: avisos + estado de estradas/Proteção Civil) e consulte em horários fixos. Alertas em excesso aumentam ansiedade e raramente melhoram decisões.

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