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Quem anda rápido não é mais saudável, apenas é mais ansioso e instável.

Homem observando smartwatch enquanto segura copo de café na rua, com ciclista e pedestres ao fundo.

Às 8:42 da manhã, em qualquer passeio de uma grande cidade, conseguem ver-se à distância. Mochila apertada contra a coluna, ombros ligeiramente curvados, olhos fixos dez metros à frente, a cortar a multidão como se estivessem atrasados para um incêndio. Os passos são curtos e incisivos, a mandíbula cerrada o suficiente para denunciar o que realmente se passa. Ultrapassam toda a gente, incluindo o casal idoso que, na verdade, ia a um ritmo perfeitamente razoável.

Sente-se a presença antes de a ver. Uma espécie de pressão invisível nas costas, como se o seu passo tranquilo fosse, de repente, um problema que precisa de ser resolvido.

Chamamos-lhes “andadores rápidos” e gostamos de dizer que é um sinal de saúde.

Mas e se, na maioria das vezes, for um sinal de outra coisa?

Andar depressa parece saudável, mas muitas vezes esconde turbulência interior

Observe um andador rápido numa passadeira. Saltita impaciente sobre os calcanhares, procura brechas no trânsito, avança antes de o sinal sequer ficar verde. O corpo já vai três passos à frente da realidade.

De fora, pode parecer energia, boa forma, uma espécie de atletismo urbano. Parecem produtivos, eficientes, determinados.

Mas, se olhar com mais atenção, muitas vezes vê algo menos glamoroso: um sistema nervoso preso em modo de avanço rápido.

Pense na Marta, 32 anos, que trabalha em marketing. Começou a registar os passos com um smartwatch, orgulhosa da sua velocidade “ao nível de um atleta”. A aplicação felicitava-a todos os dias: “Ótimo ritmo! Acima da média!”

No entanto, por volta das 15h, sentia o peito a arder, a respiração curta, e aquela sensação familiar de estar ligeiramente fora do próprio corpo. A terapeuta acabou por lhe dizer algo dolorosamente simples: a Marta não andava apenas depressa - vivia depressa. Comia em pé, fazia scroll em pé, respondia a e-mails enquanto atravessava ruas.

Os dados do ritmo cardíaco contavam a mesma história. Não era boa forma. Era agitação.

A vida moderna esbateu a linha entre movimento saudável e urgência inquieta. Os estudos mostram, de facto, que quem anda a passo rápido tende a viver mais tempo, o que dá uma boa manchete. Mas as manchetes nem sempre descrevem o que se passa dentro da cabeça de uma pessoa concreta.

Uns andam depressa porque o corpo está treinado e relaxado. Outros andam depressa porque o cérebro está, silenciosamente, a gritar: “Estás atrasado, estás a ficar para trás, não és suficiente.”

O mesmo ritmo pode ser movido por motores totalmente diferentes.

Como perceber se o seu andar rápido é ansiedade disfarçada

Há uma pequena experiência que pode fazer da próxima vez que estiver na rua. Escolha um momento em que não esteja realmente atrasado. Veja as horas, confirme. Depois, abrande deliberadamente a velocidade do passo em cerca de 20%. Não é um passeio arrastado - é só… menos pressa.

Repare no que acontece dentro do corpo. Os ombros dão um impulso para a frente? A mandíbula fecha-se? Sente vontade de gritar com o semáforo vermelho por estar a demorar demasiado?

Essa reação é o seu sistema nervoso a falar, não a sua agenda.

Muitos de nós confundimos “gosto de me mexer depressa” com “não consigo tolerar calma”. Não é a mesma coisa. Uma é preferência. A outra é sintoma.

Um erro comum é tratar qualquer sinal de velocidade como um emblema de honra: andar depressa, falar depressa, responder depressa a mensagens à meia-noite. Chamamos-lhe ser determinado, ambicioso, de alto desempenho.

Mas, quando se tiram os rótulos, por vezes encontra-se medo simples: medo de perder tempo, medo de desiludir os outros, medo de parar tempo suficiente para sentir o que realmente se está a passar. E, honestamente, esse medo é extenuante.

Já todos passámos por isso: aquele momento em que vai a passo apressado sem motivo nenhum, exceto o pânico silencioso de que, se abrandar, tudo pode alcançá-lo.

  • Repare no seu ritmo padrão
    Preste atenção durante um dia. Anda depressa mesmo quando não há prazo, pressão, nem razão?

  • Observe o corpo, não apenas o relógio
    Procure punhos cerrados, ombros tensos, boca seca, respiração superficial. Andar depressa com tensão muitas vezes significa stress, não boa forma.

  • Experimente “intervalos lentos”
    Durante dois quarteirões, ande intencionalmente mais devagar. Se isso o irritar ou fizer sentir-se inseguro, não está apenas “cheio de energia” - provavelmente está hiperativado.

Baixar a velocidade interna sem perder o seu impulso

Há uma competência silenciosa que as pessoas calmas têm: conseguem mover-se depressa sem se sentirem caçadas por dentro. Não são mais lentas por fora - são mais suaves por dentro.

Uma prática simples é ancorar o ritmo do passo à respiração em vez da ansiedade. Escolha uma velocidade normal de caminhada e sincronize a inspiração com quatro passos e a expiração com quatro passos. Sem forçar. Apenas ligar, suavemente.

De repente, o passeio deixa de ser uma pista de corrida e torna-se mais uma meditação em movimento.

Outra armadilha é a mentalidade do tudo-ou-nada. As pessoas dizem a si mesmas: “Se não estou a maximizar cada passo, estou a desperdiçar tempo.” É a cultura da produtividade a infiltrar-se no seu sistema nervoso.

Não precisa de se tornar a pessoa mais lenta da rua para ficar menos ansioso. Precisa apenas de um ou dois momentos por dia em que o corpo aprenda: “Andar depressa é opcional, não obrigatório.”

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, sem falhar. Mas até duas caminhadas conscientes por semana podem começar a reprogramar a associação entre movimento e pânico.

Quando os psicólogos falam de stress crónico, descrevem um corpo preso em modo de “luta ou fuga”. Para muitos, andar depressa é apenas esse modo tornado visível.

O antídoto não é obrigar-se a arrastar os pés. É aprender a escolher a sua velocidade, em vez de ser arrastado por ela. Isso pode significar sair de casa cinco minutos mais cedo, dizer não a mais uma reunião, ou permitir que um e-mail por responder simplesmente espere.

Uma velocidade de caminhada saudável tem menos a ver com quilómetros por hora e mais com quem está no controlo - você, ou o medo de ficar para trás.

Da próxima vez que um andador rápido lhe respire no pescoço no passeio, pode sentir aquela velha vontade de acelerar e sair da frente. Ou talvez se mantenha no seu próprio ritmo, assente no seu compasso, e o deixe passar como uma rajada de tempo a atravessar.

Por fora, não acontece nada de dramático. Duas pessoas, duas velocidades, dois sistemas nervosos a negociar o mesmo troço de betão. Por dentro, porém, algo muda quando deixa de confundir “apressado” com “vivo”.

Começa a reparar novamente em pequenas coisas: um fragmento de conversa, um cão a puxar a trela, a forma como a luz bate na janela de um café. Isto não são métricas de produtividade - são âncoras.

E quem sabe - se mais de nós recuperássemos a nossa velocidade de caminhar das mãos das preocupações, as cidades talvez parecessem um pouco menos uma emergência permanente e um pouco mais lugares onde se movem humanos, não apenas calendários.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Rápido nem sempre significa em forma A caminhada acelerada pode sinalizar ansiedade ou stress crónico, não apenas boa saúde Ajuda a questionar se o seu ritmo é guiado pelo bem-estar ou pela pressão
Os sinais do corpo importam Tensão, respiração superficial e impaciência muitas vezes acompanham a velocidade ansiosa Dá sinais concretos para detetar quando a “energia saudável” virou sobrecarga
A velocidade pode ser uma escolha Experiências simples de respiração e ritmo devolvem controlo sobre o seu compasso Oferece ferramentas práticas para manter a motivação sem se esgotar por dentro

FAQ:

  • Andar depressa é sempre um mau sinal?
    De todo. Muitas pessoas andam rápido porque estão em boa forma ou simplesmente gostam de se mover. Torna-se preocupante quando o andar rápido é constante, tenso e ligado a sensações de stress ou urgência.
  • Como sei se a minha velocidade a andar está ligada à ansiedade?
    Se fica inquieto quando abranda, se nota tensão no corpo, ou se anda depressa mesmo quando não há motivo para ter pressa, é provável que o seu ritmo esteja ligado a agitação interior.
  • Ainda posso ter benefícios de saúde se abrandar o ritmo?
    Sim. O movimento regular, mesmo a um ritmo moderado, apoia a saúde cardiovascular. Além disso, reduzir a carga de stress pode ser tão benéfico como andar um pouco mais depressa.
  • Devo registar a minha velocidade a andar com aplicações?
    Pode, mas trate os números como informação, não como julgamento. Dê tanta atenção a como o seu corpo se sente quanto à rapidez com que vai.
  • Qual é uma mudança simples que posso experimentar esta semana?
    Escolha um percurso diário - para o trabalho, para a loja, para o autocarro - e faça-o a um ritmo conscientemente confortável, sincronizando os passos com a respiração. Repare que emoções surgem quando não se apressa.

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