A cabeleireira empurrou os óculos para o topo da cabeça, semicerrrou os olhos diante do espelho e sorriu: “O seu cabelo está a competir com as suas armações - esse é o problema.”
A mulher na cadeira tinha 74 anos, um pixie prateado já crescido, e bifocais pesados a escorregarem pelo nariz. Parecia cansada, quase engolida pelo próprio reflexo. O corte não era “mau” propriamente dito. Simplesmente já não lhe pertencia.
Vinte minutos depois, com um bob suave em camadas a roçar a linha do maxilar e uma franja delicada a tocar no topo dos óculos, o mesmo rosto parecia mais elevado. As maçãs do rosto pareciam mais cheias, os olhos mais vivos, até o maxilar parecia mais definido. Os óculos continuavam lá, e as rugas também. Mas algo tinha mudado, discretamente.
Ela não parecia mais nova.
Parecia desperta.
E isso muda tudo.
Porque é que o corte certo depois dos 70 pode “elevar” um rosto enquadrado por óculos
Depois dos 70, o cabelo começa a dizer a verdade. A textura muda, o volume desce, e aquele penteado outrora fiável pode, de repente, pesar no rosto - sobretudo quando combinado com armações marcadas. Os óculos desenham uma linha horizontal a meio das feições. Se o corte acrescentar mais duas “linhas pesadas” - uma ao nível do maxilar e outra ao nível do pescoço - o rosto pode parecer mais curto e mais cansado.
Um corte lisonjeiro nesta idade não luta contra os óculos. Trabalha com eles. Suavidade nas têmporas, um pouco de movimento junto às maçãs do rosto e leveza no topo criam um fluxo subtil ascendente que engana o olhar. O objetivo não é apagar os anos. É redirecionar a atenção para onde o rosto continua incrivelmente expressivo: os olhos e o sorriso.
Imagine isto: uma mulher de 72 anos com um bob rígido, de um só comprimento, a bater exatamente no limite inferior das lentes. De perfil, vê-se um retângulo espesso de cabelo, um retângulo de óculos e um pescoço que de repente parece mais curto do que é. A mesma mulher, com os mesmos óculos, troca esse corte por um bob ligeiramente em camadas, que curva para dentro na direção do maxilar e revela um pouco da nuca.
De repente, o pescoço parece mais comprido, as maçãs do rosto apanham a luz, e repara-se nas linhas do riso em vez dos vincos sob os óculos. Muitos cabeleireiros admitem, baixinho, que um dos truques “anti-idade” mais eficazes não custa nada: levantar o volume um ou dois centímetros e libertar a zona das têmporas. É um jogo de geometria, não uma cura milagrosa.
Do ponto de vista puramente visual, os óculos funcionam como a moldura de um quadro. Um corte de cabelo complementar funciona como boa iluminação. Quando o cabelo colapsa no topo e incha nas laterais, alarga o rosto e puxa-o para baixo, ao lado das armações. Quando o corte oferece camadas leves junto ao rosto, uma altura subtil no topo e não demasiada espessura nas laterais, o olhar lê o conjunto como mais fresco.
É por isso que algumas mulheres parecem instantaneamente mais novas com um pixie suave, enquanto outras brilham com um corte em camadas de comprimento médio, a flutuar acima dos ombros. Não é apenas uma questão de comprimento. É o diálogo entre cabelo, armações e formato do rosto que cria aquele efeito de “Está com tão bom aspeto!”.
Os 4 cortes mais lisonjeiros depois dos 70 para mulheres com óculos
O primeiro aliado: o bob suave em camadas, entre o queixo e o topo dos ombros. Numa mulher com óculos, este comprimento liberta a gola, deixa o pescoço respirar e devolve a atenção diretamente aos olhos. O truque é evitar uma linha rígida e reta. Camadas leves nas pontas e algum movimento à frente impedem que o cabelo forme uma “moldura” pesada à volta das lentes.
Peça ao/à seu/sua cabeleireiro/a um bob que curve ligeiramente para dentro ao nível do maxilar, com algumas madeixas mais curtas junto às têmporas. Isto cria esse efeito subtil de “elevação” sem exigir um corte drástico. Uma risca ao lado também pode quebrar a simetria entre armações e cabelo, suavizando toda a expressão.
Depois há o pixie moderno - um corte que muitas mulheres só se atrevem a experimentar depois dos 70. Curto nas laterais, com um pouco mais de volume no topo, e uma franja suave que encontra - ou apenas roça - o topo dos óculos. Em cabelo fino ou a rarear, este estilo pode ser uma revelação. Nada de comprimentos a cair e a lutar contra a gravidade. Em vez disso, ganha-se leveza e estrutura, deixando as armações serem um acessório com estilo, e não um peso.
Pense num pixie leve e arejado, não num corte “militar”. Alguns fios soltos junto às orelhas, uma nuca suave e textura irregular mantêm o visual feminino e vivo. Este corte muitas vezes faz a testa parecer mais pequena e os olhos maiores, o que suaviza de imediato as rugas mais profundas à volta da boca.
Para quem gosta de mais comprimento, o corte em camadas a roçar os ombros é um compromisso delicado. Funciona especialmente bem com armações mais finas e leves. Comprido o suficiente para prender atrás das orelhas, curto o suficiente para não puxar o rosto para baixo. Camadas estratégicas a partir das maçãs do rosto criam movimento que “dança” à volta - e não por cima - dos óculos.
Há também uma opção muito lisonjeira para cabelo naturalmente ondulado ou encaracolado: um corte esculpido de comprimento médio, com camadas arredondadas. Formas que seguem a curva da cabeça, em vez de caírem num triângulo, impedem os caracóis de assentarem sobre as armações. O resultado é um halo de textura que suaviza todas as linhas.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mas quando o corte é bem pensado, até um pentear com os dedos e um pouco de água conseguem reavivar a forma e manter as feições visíveis e vibrantes.
Como falar com o/a cabeleireiro/a para que o corte e os óculos funcionem em conjunto
O “truque” mais eficaz acontece antes de as tesouras entrarem em ação: levar os óculos à consulta e mantê-los colocados enquanto o/a profissional estuda o seu rosto. Peça-lhe que trace mentalmente três linhas - o topo das armações, a base das armações e o ponto onde o maxilar faz a curva. O novo corte nunca deve criar linhas grossas e duras exatamente nesses mesmos níveis.
Convide o/a cabeleireiro/a a cortar algumas madeixas a enquadrar o rosto que caiam ligeiramente acima ou ligeiramente abaixo do topo dos óculos - nunca exatamente a meio das lentes. Uma franja suave e “quebrada” também pode disfarçar linhas na testa e fundir-se naturalmente com as têmporas das armações. Este pequeno detalhe faz muitas vezes os olhos parecerem mais abertos e descansados.
Uma armadilha comum depois dos 70 é agarrarmo-nos a um penteado “seguro” que, em tempos, funcionou lindamente. Cabelo comprido e liso puxado para trás, com armações retangulares sólidas. Ou uma franja pesada e reta, caída como uma cortina sobre bifocais. Não há vergonha nisso. Já todos passámos por esse momento em que o penteado de dez anos, de repente, deixa de nos favorecer e não conseguimos explicar porquê.
Ser gentil consigo própria ajuda. O cabelo é emocional. Em vez de pedir “algo jovem”, peça algo que deixe o meu rosto respirar e faça os meus óculos pertencerem. Evite cortes que escondam metade do rosto ou enterrem as armações em cabelo espesso. Não precisa de perfeição. Precisa do equilíbrio certo entre suavidade e estrutura.
“Depois dos 70, não corto para a idade”, explica um cabeleireiro parisiense que trabalha sobretudo com mulheres com mais de 65. “Corto para a luz. À volta dos olhos, das maçãs do rosto, da boca. Os óculos são apenas mais uma ferramenta para direcionar essa luz.”
- Um bob suave em camadas entre o queixo e os ombros
Ideal com armações médias ou leves; chama a atenção para as maçãs do rosto e os lábios. - Um pixie moderno e arejado com franja suave
Perfeito para cabelo fino e armações mais marcadas; realça os olhos e dá energia. - Um corte em camadas, ao nível dos ombros, ligeiramente desbastado nas pontas
Dá movimento sem peso; funciona bem se gosta de colocar o cabelo atrás das orelhas. - Um corte arredondado e esculpido para caracóis ou ondas naturais
Evita que os caracóis assentem nas armações; cria um halo jovem e suave à volta do rosto.
Deixar a idade, o cabelo e os óculos conversarem entre si
Depois de certo aniversário, percebe-se que o reflexo não é um inimigo a combater, mas uma conversa que vamos ajustando. Cabelo, rugas, armações: nada obedece como aos 30. Em dias maus, isso pode ser duro; em dias bons, é surpreendentemente libertador. O corte certo não promete um rosto novo. Apenas permite que o seu verdadeiro rosto volte a avançar, sem ficar soterrado por formas cansadas e hábitos antigos.
Algumas mulheres sentem-se subitamente poderosas com um pixie bem curto e óculos redondos ousados. Outras ganham brilho com um bob novo, leve, e armações delicadas que quase não desenham linha nenhuma. O visual mais “jovem” é muitas vezes aquele em que a personalidade soa mais alto e o esforço se nota menos.
Pode perceber que esteve anos a esconder-se atrás do cabelo. Ou que as suas armações favoritas merecem um corte que finalmente combine com o caráter delas. A única pergunta real é esta: que versão de si quer que o espelho incentive todas as manhãs?
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para a leitora |
|---|---|---|
| Trabalhar com os óculos, não contra eles | Escolher cortes e comprimentos que não criem linhas pesadas ao mesmo nível das armações | Faz o rosto parecer mais elevado, os olhos mais vivos e as feições mais harmoniosas |
| Camadas suaves vencem formas rígidas | Camadas leves junto ao rosto, volume no topo e movimento suave nas pontas | Reduz o efeito “bloco”, afina a silhueta e suaviza visualmente as rugas |
| A consulta é tão vital como o corte | Manter os óculos durante o corte, discutir o formato das armações e ajustar franja e comprimento em conformidade | Garante um resultado personalizado, natural, lisonjeiro e fácil de manter |
FAQ:
- Qual é o melhor corte depois dos 70 se tenho cabelo muito fino e uso óculos?
Um pixie suave ou um bob curto em camadas costuma funcionar melhor. Ambos retiram o peso que faz o cabelo fino cair e criam volume no topo, equilibrando a linha horizontal das armações.- Posso manter o cabelo comprido depois dos 70 com óculos?
Sim, desde que o comprimento não puxe as feições para baixo. O cabelo comprido parece mais fresco quando tem camadas leves, não é demasiado espesso nas laterais e é usado de forma a que as armações e os olhos fiquem bem visíveis.- Devo fazer franja se tenho rugas na testa?
Uma franja suave e afunilada, que se funda com as laterais, pode ser muito lisonjeira com óculos. Evite franjas pesadas e retas que assentam como um bloco sobre as armações e opte por algo leve e ligeiramente irregular.- Com que frequência devo cortar para manter a forma lisonjeira?
A maioria das mulheres com mais de 70 acha que a cada 6–8 semanas o corte se mantém estruturado, mas não rígido. Se o seu cabelo cresce muito devagar, pode estender até 10 semanas e apostar numa pequena remodelação das madeixas da frente.- A cor e o formato das armações importam mesmo para o corte?
Sim - funcionam como joalharia para o rosto. Armações grossas e escuras combinam muitas vezes com cortes mais leves e suaves. Armações delicadas ou sem aro toleram mais volume e textura sem “abafar” as feições.
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