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Penteados depois dos 70: O “corte trixie” é o corte curto ideal para rejuvenescer na primavera/verão.

Mulher a secar o cabelo de uma cliente num salão de cabeleireiro, com plantas e produtos de beleza ao fundo.

No terraço do café, os primeiros raios de primavera parecem quase brilhantes demais. Os casacos abrem-se, os óculos de sol reaparecem e, na mesa ao lado, duas mulheres na casa dos setenta inclinam-se sobre um telemóvel, a ampliar uma fotografia. Uma delas, com um bob prateado ligeiramente achatado pelo chapéu, suspira. “Tenho este corte há 20 anos. Quero algo mais leve. Mais fresco. Mas não adolescente.” A amiga desliza para um screenshot do Instagram: um corte curto, arejado, ligeiramente rebelde, com uma franja suave. O famoso “trixie cut”.
Ela toca no próprio cabelo, como se o estivesse a experimentar na cabeça.
Um pescoço mais à mostra, camadas delicadas, um rosto que de repente se abre.
Algo faz clique.
A primavera está a chegar e, desta vez, a mudança começa pela raiz.

O “trixie cut”: um corte curto e fresco que não se esforça demasiado

O trixie cut é aquele estilo intermédio que, secretamente, esperávamos que alguém inventasse. Curto, sim, mas não masculino. Estruturado, e ainda assim natural. Em mulheres com mais de 70, parece uma lufada de ar fresco à volta do rosto. Uma forma ligeiramente arredondada, em camadas no topo da cabeça, uma franja leve ou caída para o lado e a nuca discretamente mais limpa.
O resultado: a linha do maxilar parece mais definida, os olhos passam a ser o foco e o cabelo volta a ter movimento, em vez de ficar “colado” como um capacete.
É aí que o efeito rejuvenescedor começa a sério.

Imagine a Jeanne, 74 anos, no dia do casamento de primavera da neta. Chega ao salão com um bob clássico, cuidadosamente escovado, um pouco achatado no topo. O pedido é simples: “Não quero parecer muito arranjada. Quero parecer desperta.” O cabeleireiro sugere um trixie cut: mais volume no topo, textura suave nas laterais e uma franja que quebra as linhas da testa sem esconder os olhos.
Quando a Jeanne se vê ao espelho, desata a rir. As maçãs do rosto parecem mais elevadas, as rugas mais suaves. A filha diz: “Pareces tu, há dez anos, mas mais serena.”
O corte não a tornou mais nova. Parou foi de sublinhar aquilo que a envelhecia.

O que funciona tão bem depois dos 70 é o equilíbrio. Curto demais, e o rosto pode ficar mais duro - sobretudo se os traços forem angulosos ou o pescoço fino. Comprido e pesado demais, e a gravidade faz o seu trabalho, puxando tudo para baixo. O trixie cut fica mesmo no meio: aligeira as laterais, abre a nuca e joga com linhas suaves e “quebradas”, em vez de linhas direitas. Os nossos olhos leem naturalmente estas texturas macias e irregulares como movimento e vitalidade. Em cabelo grisalho ou branco, esse efeito duplica, porque a luz apanha cada pequena camada.
É por isso que tantas mulheres dizem: “Sinto como se o meu rosto estivesse a respirar.”

Como pedir um trixie cut depois dos 70 (sem sair do salão desiludida)

No salão, as palavras às vezes perdem-se entre a cadeira e a tesoura. Para evitar o clássico “Não era isto que eu pedi”, vá um pouco preparada. Leve 2 ou 3 fotografias de trixie cuts de que goste, idealmente em mulheres mais próximas da sua idade. Aponte o que adora: o comprimento da franja, o volume no topo, a forma como a nuca é cortada.
Depois, fale da sua vida real. Faz brushing? Deixa secar ao ar? Detesta produtos de styling? Isso muda tudo.
Um bom trixie cut para uma mulher de 72 anos que não penteia o cabelo todos os dias não será o mesmo que para uma de 70 que adora escova redonda.

Muitas mulheres com mais de 70 chegam ao salão a pedir desculpa pelo cabelo. “É fino demais.” “Não aguenta.” “Já não é como antes.” Sinceramente: o seu cabelo não é o problema. O problema são cortes que ignoram a textura e o estilo de vida. O trixie cut assenta especialmente bem em cabelo fino ou médio, porque a estrutura em camadas cria ar e elevação onde a natureza já levou algum volume.
O erro comum é pedir uma versão muito elaborada, de passadeira vermelha, e depois voltar para casa para a rotina habitual de dois minutos. Sejamos honestas: quase ninguém faz isso todos os dias.
Diga a verdade ao cabeleireiro. Pergunte: “Como é que este corte fica se eu só lavar, secar com a toalha e sair?”

Os cabeleireiros que acertam no trixie em cabelo maduro costumam repetir a mesma frase:

“O meu trabalho não é apagar a sua idade. É impedir que o seu corte lhe acrescente anos.”

Normalmente, seguem algumas regras simples:

  • Camadas leves no topo para levantar o rosto, nunca um topo achatado.
  • Franja suave, ligeiramente comprida, ou frente puxada para o lado, não uma linha recta e severa.
  • Nuca limpa, mas sem rapar demasiado alto, para manter feminilidade e suavidade.
  • Textura criada com tesoura, não apenas com produtos de styling.
  • Comprimento nas laterais adaptado a óculos, maxilar e orelhas.

Quando estes básicos ficam claros, o trixie cut torna-se seu - e não apenas uma fotografia do Pinterest.

Cor, textura e atitude: porque é que o trixie cut sabe a pequena revolução

O trixie cut tem outra pequena superpotência: adora a cor natural. Em cabelo prateado, sal-e-pimenta ou totalmente branco, a estrutura curta e em camadas funciona como um reflector. Cada movimento apanha a luz. De repente, o que antes era “o meu cabelo grisalho” passa a ser “o meu brilho”. Algumas mulheres optam por suavizar madeixas antigas; outras mantêm algumas mechas mais claras junto ao rosto para apanhar o sol na primavera e no verão. Seja como for, o corte define o tom: elegância descontraída, não camuflagem desesperada.
É aí que o lado rejuvenescedor se torna libertador em vez de cansativo.

Muitas vezes, o que muda primeiro não é o cabelo, mas a postura. Depois de um corte fresco, muitas mulheres endireitam as costas sem dar por isso, mostram a nuca, levantam o queixo. Um bom trixie cut convida-a a mexer a cabeça, prender o cabelo atrás da orelha, voltar a usar brincos. Parece superficial, mas é um micro-impulso diário. Aquele gesto antes de sair, quando despenteia o cabelo ao espelho e ele volta logo ao sítio?
Isso é o oposto do medo do “cabelo-capacete” que prende tantas mulheres ao mesmo estilo durante 30 anos. É leveza.
E essa leveza lê-se como juventude, mais do que qualquer técnica de coloração.

A verdade é que o trixie cut tem menos a ver com perseguir tempo perdido e mais com alinhar aquilo que vê com a forma como se sente por dentro. Algumas mulheres de 70 dizem que, finalmente, por fora se sentem tão modernas quanto na cabeça. Outras confessam, em voz baixa, que se tinham esquecido de como o rosto pode parecer “vivo” à luz natural do dia. Um estilo curto que não luta contra a sua idade, mas deixa de realçar cada linha, dá espaço para outras coisas virem ao de cima: os seus olhos, a sua gargalhada, a sua energia.
A pergunta torna-se então muito simples: nesta primavera e neste verão, quer que o seu cabelo siga quem era antes - ou quem é agora?

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Estrutura do trixie cut Forma curta e em camadas, com volume no topo, laterais suaves e franja leve Ajuda a visualizar o que pedir e a perceber porque rejuvenesce o rosto
Conversa no salão Ir com fotos, explicar a rotina, perguntar como o corte se comporta com pouco styling Reduz desilusões e aumenta as probabilidades de um resultado favorecedor e realista
Adaptação depois dos 70 Comprimento e camadas ajustados à textura do cabelo, nuca, maxilar e cor natural Mostra que o trixie cut pode ser personalizado e não impõe um “tamanho único”

FAQ:

  • O trixie cut é adequado para cabelo muito fino depois dos 70? Sim, muitas vezes funciona lindamente em cabelo fino, porque as camadas leves e o topo elevado criam a ilusão de densidade e movimento sem styling pesado.
  • Com que frequência devo aparar um trixie cut? A cada 5 a 7 semanas é o ideal para manter a forma fresca, sobretudo na franja e na nuca, que crescem de forma muito visível em cortes curtos.
  • O trixie cut resulta com cabelo grisalho ou branco natural? Absolutamente. As diferentes camadas captam a luz e dão profundidade aos tons cinzentos, que de outra forma podem parecer “chapados” em cortes longos e de um só comprimento.
  • Posso usar um trixie cut se tiver o rosto redondo? Sim, desde que o cabeleireiro adapte as laterais e a franja: um pouco mais de altura no topo e laterais ligeiramente mais compridas podem alongar e afinar visualmente um rosto redondo.
  • O trixie cut dá muito trabalho no dia a dia? Quando está bem adaptado à sua textura, pode ser muito fácil: uma secagem leve com secador ou ao ar, um toque de mousse ou spray, um rápido desalinhado com os dedos e está feito.

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