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A regra dos 19°C para aquecimento está desatualizada: especialistas indicam nova temperatura ideal.

Mulher ajusta termostato na parede com a temperatura a 21°C; à esquerda, janela e chávena em cima de uma mesa.

A primeira vaga de frio do ano chegou numa terça-feira. Lá fora, as árvores ainda tinham as folhas de outono, mas dentro do apartamento da Emma, o ar tinha aquele frio cortante inconfundível. Ela foi até ao termóstato, hesitou perante o autocolante “19°C” que o senhorio ali tinha colado “para poupar energia” e revirou os olhos. O filho de oito anos, embrulhado numa manta no sofá, fez em voz alta a pergunta que tantos pensam em silêncio: “Mãe, porque é que não podemos simplesmente estar quentes?”

A Emma parou, com o dedo suspenso entre os 19 e os 21.

Algumas regras parecem razoáveis no papel. Na vida real, sabem a castigo.

A famosa regra dos 19°C está a ceder perante a vida real

Durante anos, aquele número - 19°C - foi repetido como se fosse mágico. Políticos, campanhas públicas, dicas ecológicas na televisão: “Aqueça a 19°C, salve o planeta e a sua fatura.” Tornou-se uma espécie de referência moral, a temperatura do “bom cidadão”.

Só que os nossos corpos, as nossas casas e até os nossos trabalhos não cabem todos no mesmo molde. Uma divisão a 19°C num apartamento novo e bem isolado não tem nada a ver com 19°C numa casa dos anos 70 cheia de correntes de ar. Num caso, uma camisola chega. No outro, parece que está a acampar em novembro.

Por toda a Europa, agências de energia e especialistas de saúde pública estão, discretamente, a rever as recomendações. Não com grandes slogans, mas com gráficos mais matizados e novos intervalos. Falam de 20–21°C para salas usadas durante longos períodos, quartos um pouco mais frescos, definições mais quentes para idosos ou pessoas com doença crónica.

Na Alemanha e no Reino Unido, várias entidades médicas dizem agora que passar muitas horas em interiores abaixo dos 18°C aumenta os riscos para pessoas vulneráveis: infeções respiratórias, picos de tensão arterial, dores articulares. O antigo e rígido “19°C para todos” começa a parecer menos uma regra inteligente e mais um instrumento grosseiro.

A lógica é simples. O conforto depende de mais do que um número na parede. É uma mistura de humidade, movimento do ar, roupa, idade, taxa metabólica, nível de atividade. Um adolescente a jogar na consola no sofá, de hoodie, não tem as mesmas necessidades que uma pessoa de 78 anos, parada, com problemas de circulação.

Por isso, os especialistas falam agora em zonas de conforto em vez de uma regra única. Por exemplo: 20–21°C nas áreas de estar se estiver em casa e relativamente parado, 17–19°C nos quartos, 22–23°C nas casas de banho na hora do duche, e uma margem mais quente para bebés e pessoas frágeis. O objetivo não é passar frio em nome da virtude, mas aquecer de forma mais inteligente, divisão a divisão, hora a hora.

A nova temperatura recomendada: como os especialistas a definem hoje

O consenso emergente é menos rígido e mais realista. Muitas agências de energia e engenheiros de edifícios recomendam agora apontar para cerca de 20°C como base nas principais áreas de permanência, subindo para 21°C se as pessoas estiverem sedentárias ou forem sensíveis ao frio. É a temperatura em que a maioria dos adultos saudáveis se sente confortável com roupa leve de interior, sem precisar de duas camadas de lã e um saco de água quente.

Nos quartos, o alvo desce geralmente para 17–19°C, o que coincide com a investigação sobre o sono: ar mais fresco favorece um descanso melhor, desde que a cama em si esteja suficientemente quente. As casas de banho são a exceção, muitas vezes reguladas para 22–23°C durante a utilização, para que sair do duche não seja um choque.

Imagine uma noite típica de inverno. Está a trabalhar na mesa de jantar, as crianças fazem os trabalhos de casa ali perto, e estão todos maioritariamente sentados. Nessa situação, os especialistas dizem que 21°C na área de estar faz sentido, sobretudo se vão estar ali várias horas seguidas. Mais tarde, ao passar para o quarto, baixar para 18°C evita ar abafado e dores de cabeça de manhã.

As autoridades de saúde pública também insistem num limite de segurança: não deixar as divisões habitadas descerem abaixo de cerca de 18°C no caso de idosos, bebés ou pessoas com problemas cardíacos e respiratórios. Abaixo disso, o corpo trabalha mais para manter o calor, e o risco de complicações aumenta de forma silenciosa, especialmente durante vagas de frio prolongadas.

Do lado da energia, a matemática não mudou: cada grau conta. Baixar o termóstato 1°C continua a reduzir o consumo de aquecimento em cerca de 6 a 7% em média. Por isso, os especialistas não dizem “aqueça mais”; dizem “aqueça melhor”.

Aconselham a usar essa flexibilidade de 1–2°C de forma inteligente, em vez de tratar os 19°C como se fossem sagrados. Para quem vive num apartamento mal isolado, forçar 19°C em todo o lado pode significar passar frio o inverno inteiro e depois compensar com aquecedores elétricos portáteis, que são caros e pouco seguros. Uma abordagem melhor é subir a sala para uns 20–21°C mais humanos, manter as divisões não usadas mais frescas, vedar correntes de ar e programar o aquecimento de acordo com a presença real em casa. Sejamos honestos: quase ninguém faz isto todos os dias, sem falhas.

Como ajustar a sua casa à “nova” regra sem rebentar com a fatura

O passo mais inteligente é deixar de pensar num único número para toda a casa. Em vez disso, defina “zonas climáticas” em casa. Comece por 20–21°C na divisão onde passa mais tempo sentado: sala, escritório ou cozinha-sala de refeições. Dê-lhe 24 horas e repare: está a pegar numa manta ou a abrir uma janela?

Depois, baixe discretamente as divisões menos usadas para 17–18°C: corredores, quartos de hóspedes, arrumos. Nos quartos, experimente 18°C durante uma semana, com um edredão um pouco mais quente ou uma manta extra. Ajuste meio grau de cada vez. Ganham-se estes jogos com pequenos retoques, não com mudanças bruscas.

Muitas pessoas sentem culpa assim que sobem o termóstato acima dos 19°C, como se estivessem a falhar um teste ecológico invisível. Essa culpa muitas vezes vira-se contra si: aguenta três dias a tremer, depois numa noite cede e liga o aquecimento “só para voltar a sentir os dedos dos pés”. O pico de consumo anula o esforço anterior.

Uma abordagem mais sustentável é ouvir o corpo e a fatura ao mesmo tempo. Se 19°C lhe deixa as mãos frias enquanto escreve e os ombros encolhidos, isso é um sinal. Não é fraqueza, é ser humano. Subir para 20°C e apostar em isolamento, vedações contra correntes de ar, cortinas e menos horas de aquecimento é muitas vezes melhor para a saúde e para a carteira do que uma mentalidade dura de tudo ou nada.

A especialista em saúde pública Dra. Lena Moretti resume de forma simples: “A temperatura verdadeiramente responsável é a que protege tanto a sua saúde como o seu consumo de energia. Para a maioria das pessoas, isso significa cerca de 20°C nas divisões habitadas, não uns rígidos 19°C para toda a gente, em todos os momentos.”

  • Áreas de estar (uso prolongado) – Cerca de 20–21°C para quem está sentado, a trabalhar, a ver televisão.
  • Quartos – Cerca de 17–19°C, com roupa de cama quente e pijama.
  • Casas de banho – 22–23°C durante o duche, depois baixar novamente.
  • Idosos e bebés – Intervalo ligeiramente mais alto, 20–22°C na divisão principal.
  • Poupança de energia – Baixar as divisões não usadas, vedar correntes de ar, programar por horários.

De regras rígidas para conforto pessoal: uma nova forma de pensar o aquecimento

O que está realmente a mudar não é apenas um número no termóstato. É a nossa relação com conforto, saúde e culpa. A antiga regra dos 19°C funcionava como slogan quando os preços da energia eram mais baixos e a nossa compreensão da saúde em interiores era menos precisa. Hoje, com mais trabalho a partir de casa, mais familiares frágeis a viver connosco e meteorologia mais extrema, essa regra única para todos parece desajustada.

Os especialistas não estão a dizer “aumente o aquecimento e esqueça o planeta”. Estão a dizer: pare de tremer em silêncio. Escolha um intervalo razoável de conforto e depois otimize tudo à volta - isolamento, zonamento, cortinas, horários, roupa - em vez de transformar a sua própria sala num teste de resistência.

Se falar com amigos e vizinhos, vai notar uma coisa: quase ninguém vive rigorosamente a 19°C durante todo o inverno. Uns aquecem secretamente a 21°C e sentem vergonha disso. Outros sofrem a 18°C e acham que o problema são eles.

Talvez a verdadeira mudança seja simplesmente darmos a nós próprios permissão para ajustar. Para dizer: “A minha casa, o meu corpo, as minhas necessidades.” Para aceitar que a temperatura “certa” é um intervalo, não uma sentença, e que dois apartamentos lado a lado podem ter definições diferentes e, ainda assim, ser escolhas responsáveis. Esse tipo de nuance raramente aparece num cartaz de campanha, mas sente-se nos ossos numa noite de fevereiro.

Da próxima vez que o seu dedo pairar sobre o termóstato, lembre-se: os especialistas já passaram à frente da regra antiga, mesmo que o autocolante na sua parede ainda não. Pode procurar conforto sem perder de vista o consumo. Partilhe a sua temperatura com outras pessoas, compare experiências, aprenda com o que funciona em casas como a sua. Algures entre os 18 e os 22°C, entre mantas e faturas, um novo bom senso está a nascer, em silêncio.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Os 19°C já não são uma regra universal Os especialistas favorecem intervalos flexíveis de conforto com base no uso, idade e saúde Alivia a culpa se as suas necessidades não encaixarem no padrão antigo
Novo alvo: cerca de 20–21°C nas divisões principais Áreas de estar ligeiramente mais quentes, quartos e divisões não usadas mais frescas Melhor equilíbrio entre conforto, saúde e poupança de energia
Aquecer de forma inteligente supera aquecer de forma rígida Controlo divisão a divisão, horários, isolamento e pequenos ajustes de temperatura Reduz a fatura sem passar frio todo o inverno

FAQ:

  • Os 19°C fazem mal à saúde? Para adultos saudáveis e ativos, 19°C pode ser perfeitamente aceitável, especialmente numa casa bem isolada e com roupa quente. Para bebés, idosos e pessoas com problemas cardíacos ou respiratórios, longos períodos abaixo de cerca de 18–19°C podem aumentar os riscos para a saúde.
  • Que temperatura recomendam agora os especialistas em casa? A maioria das orientações atuais aponta para cerca de 20–21°C nas principais áreas de estar, 17–19°C nos quartos e 22–23°C nas casas de banho durante a utilização. A idosos e pessoas frágeis costuma ser aconselhado ficar no limite superior destes intervalos.
  • Subir o termóstato 1°C custa mesmo muito mais? Em média, cada grau extra acrescenta cerca de 6–7% ao consumo de aquecimento. O impacto depende do isolamento e da fonte de energia, mas um pequeno aumento bem escolhido muitas vezes compensa em conforto e saúde.
  • Como posso evitar sentir frio sem aumentar demasiado o aquecimento? Foque-se em vedar correntes de ar, fechar estores e cortinas à noite, zonar a casa, vestir por camadas e aquecer apenas as divisões que realmente usa. Pequenas mudanças de hábitos poupam muitas vezes mais do que uma regra rígida dos 19°C.
  • E se o meu senhorio impuser um limite de 19°C? Fale de necessidades específicas (crianças, problemas de saúde, trabalho em casa) e partilhe orientações atualizadas de entidades de saúde ou energia. Por vezes, é possível negociar mais 1–2°C em divisões-chave, combinando com outras poupanças como melhor isolamento ou horários mais eficientes.

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