A cabeleireira afastou a franja, semicerrrou os olhos e disse-o com a gravidade de um médico a ler resultados de análises: “Bob em camadas? Isso já fizemos até à exaustão. Está pronta para a primeira equipa.”
Na cadeira ao meu lado, uma estudante com uma sweatshirt universitária vintage fazia scroll no TikTok, parando apenas numa coisa: cortes curtos, cheios de balanço, que conseguiam parecer arrumados e rebeldes ao mesmo tempo. Sem camadas grossas, sem ondas falsas de “esforço zero”. Só uma forma limpa e confiante, com uma ligeira viragem nas pontas que gritava energia de campus, mesmo que já tenha terminado a universidade há dez anos.
Lá fora, a chuva batia na janela do salão. Cá dentro, a stylist levantou a tesoura e traçou uma linha invisível ao longo do meu maxilar.
“Confie em mim”, sorriu.
O varsity bob já estava a ganhar.
Afinal, o que é o “varsity bob” de que toda a gente fala?
O varsity bob é aquele corte que juraria que já viu antes, mas não consegue bem situar. Curto, definido, limpo à volta do maxilar, com uma curva subtil ou um pequeno “flick” nas pontas que lhe dá movimento sem parecer demasiado trabalhado. Pense em preppy, mas com um bocadinho de atitude.
Enquanto o bob em camadas tentava fazer tudo ao mesmo tempo - volume aqui, textura ali, fios soltos por todo o lado - o varsity bob é mais disciplinado. Um comprimento só, ou quase, com um toque de estrutura interna para cair bem quando anda, corre, ou vai buscar um café entre reuniões.
É o corte que parece que acordou atrasada para a aula, passou a escova uma vez, e mesmo assim acertou em cheio.
Passe cinco minutos no seu FYP e vai encontrá-lo. Uma rapariga com uma camisola de râguebi num campus nos EUA, a rir-se com um blusão varsity a escorregar-lhe dos ombros. Uma diretora de arte de quarenta e tal anos em Paris, a combinar o mesmo bob com uma gabardina e loafers. Uma trainee de K-pop a sair do ensaio com o cabelo húmido que ainda assim cai nessa linha impecável, a roçar o maxilar.
Os cabeleireiros estão, discretamente, a renomeá-lo nos sistemas de marcação: “clean bob”, “prep bob”, “campus bob”. Chame-lhe o que quiser; a base é a mesma. Do queixo até um pouco abaixo do queixo, sem camadas agressivas, pontas que curvam para dentro ou para fora numa curva suave, em vez de um brushing rígido.
Fotografa incrivelmente bem. De frente, de perfil ou de trás, o contorno mantém-se gráfico e afiado.
A ascensão do varsity bob não é aleatória. Depois de anos de shag cuts, camadas butterfly e tutoriais do TikTok que pediam três ferramentas e quatro produtos, as pessoas estão claramente cansadas. Querem um corte que aguente a vida real: suar no caminho para o trabalho, prender o cabelo num coque baixo, dormir mal em cima dele, pôr um gorro à saída.
O bob em camadas, por mais charme que tenha, muitas vezes já estava desfeito ao terceiro dia. O varsity bob mantém a linha. Esse é o génio silencioso.
E num mundo obcecado por nostalgia, este corte liga-se a uma memória coletiva: fotos da escola, anuários, a primeira vez que se sentiu verdadeiramente “arranjada” sem se esforçar demasiado.
Como pedir - e pentear - um varsity bob sem arrependimentos
A pior coisa que pode dizer na cadeira é só: “Quero um bob.” Vai sair com algo completamente diferente. Peça um varsity bob descrevendo a forma, não apenas o comprimento. Do maxilar até meio do pescoço, camadas visíveis mínimas, pontas ligeiramente curvadas e um contorno limpo, quase colegial.
Mostre ao seu cabeleireiro uma foto em que goste da linha do corte, não apenas da cara da pessoa. Diga que quer movimento sem efeito “desfiado”, e um corte que funcione também atrás da orelha.
Se estiver nervosa, peça para cortar primeiro mais meio centímetro. Dá sempre para encurtar. Não dá para colar de volta.
Em casa, seque-o como uma pessoa preguiçosa que ainda assim quer elogios. Seque com toalha, passe um creme ou loção leve do meio do comprimento para as pontas e depois faça uma secagem “à bruta” na raiz, com a cabeça ligeiramente inclinada para a frente. Quando estiver 80% seco, use uma escova redonda só nas pontas, virando-as para dentro ou para fora para aquele pequeno flick varsity.
Não complique. Um varsity bob fica melhor quando está um bocadinho vivido a meio do dia, não colado no lugar. Deixe a sua textura natural aparecer. Ondulação leve? Ótimo. Liso chapado? Também resulta.
Sejamos honestos: quase ninguém faz isto todos os dias. Na maioria das manhãs, vai só secar a jato durante três minutos e sair a correr. A beleza deste corte é que ele aguenta isso.
O grande erro que as pessoas cometem é pedir “um bob com camadas para não ficar pesado”. É assim que acaba de volta ao território do bob em camadas, em vez de varsity. Se tem cabelo grosso, diga que aceita retirar peso por dentro, desde que o contorno se mantenha sólido.
Se tem caracóis ou cabelo crespo, o varsity bob também funciona, mas precisa de um profissional que entenda encolhimento e forma. Este não é o corte para um walk-in aleatório numa quinta-feira à noite, já cansada.
“Pense no varsity bob como um uniforme que pode personalizar”, diz a stylist londrina Carla M., que tem feito discretamente este corte tanto a editoras como a estudantes. “A base é rigorosa; os detalhes é que são a parte divertida.”
- Mantenha o perímetro limpo: maxilar marcado ou curva suave, mas sem pontas irregulares e “aos bocados”.
- Escolha um detalhe: micro franja, risca ao lado, ou pontas viradas para fora - não tudo ao mesmo tempo.
- Use um produto-herói: um creme leve, um spray de secagem, ou uma bruma texturizante, não um cocktail inteiro.
Porque é que o varsity bob faz tanto sentido para 2026
Há algo quase simbólico em cortar as camadas complicadas dos últimos anos. As pessoas estão a podar tudo: guarda-roupas, listas de amigos, até aplicações no telemóvel. O cabelo encaixa perfeitamente nessa mudança. O varsity bob diz: “Quero algo claro. Definido. Fácil de ler.”
Funciona numa jovem de 19 anos num quarto de residência e numa CEO de 55 a entrar numa sala de reuniões. Mesmo corte, styling diferente, a mesma confiança silenciosa.
Isso é raro.
Este bob também encaixa no ritmo híbrido em que tantos de nós vivemos agora. Chamadas no Zoom de manhã, ginásio ao almoço, copos ao fim do dia. Uma passagem de pente, talvez um toque rápido nas pontas, e continua a parecer intencional em todas as fases.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para a leitora |
|---|---|---|
| Estrutura do corte | Do maxilar até meio do pescoço, camadas visíveis mínimas, contorno limpo | Dá uma forma moderna, cresce bem e adapta-se ao dia a dia |
| Rotina de styling | Secar a raiz “à bruta”, produto leve nos comprimentos, flick simples nas pontas | Poupa tempo e continua a parecer polido e fotogénico |
| Versatilidade | Adapta-se a cabelo liso, ondulado, encaracolado e a diferentes idades/estilos | Torna o corte uma escolha segura e trendy para 2026 e além |
FAQ:
- O varsity bob é só para cabelo liso?
De todo. Fica ótimo em cabelo liso e ondulado e pode ser adaptado para caracóis, cortando ligeiramente mais comprido e desenhando o contorno com cuidado.- Um varsity bob favorece um rosto redondo?
Sim, se o comprimento ficar logo abaixo do queixo e as pontas forem ligeiramente afinadas para evitar um efeito “capacete”. Uma risca ao lado também pode ajudar a alongar os traços.- Com que frequência tenho de cortar para manter a forma?
O ideal é a cada 6–8 semanas para manter o contorno definido, embora cabelo fino possa precisar de um retoque um pouco mais cedo.- Ainda consigo prender o cabelo com um varsity bob?
Não vai dar para um rabo-de-cavalo alto, mas uma mola baixa, meio preso ou um mini rabo na nuca é perfeitamente possível se o corte ficar mais perto de meio do pescoço.- O que peço ao cabeleireiro se ele não conhecer o termo “varsity bob”?
Peça um bob a roçar o maxilar, quase de um comprimento só, com um contorno limpo e “colegial”, e uma curvatura subtil para dentro ou para fora nas pontas, evitando camadas externas óbvias.
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