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Poupe nas contas ao isolar janelas e portas em casas antigas, evitando correntes de ar.

Pessoa selando fresta de janela com espuma isolante, ao lado de fita adesiva e ferramentas.

Abres o envelope ou a app, fixas o olhar no total e sentes o frio do teu corredor com correntes de ar de uma forma nova e muito específica. De repente, aquela aragem gelada por baixo da porta de entrada deixa de ser apenas “um bocadinho irritante”: passa a ser o som do dinheiro a sair de tua casa.

Em casas mais antigas, começas a notar estas pequenas traições por todo o lado. O arrepio quando passas pela janela saliente. A cortina que se levanta sozinha numa noite ventosa. A forma como há sempre uma divisão cinco graus mais fria do que as outras, por mais que aumentes o termóstato.

Parece injusto, quase pessoal. Adoras o carácter da casa - os tectos altos, as portas de madeira, as janelas de guilhotina. Mas pagas esse charme em quilowatts e frustração.

E depois, um pequeno truque mostra-te quanta ar quente estás a perder.

Porque é que as casas antigas “deitam dinheiro fora” pelas fendas que não vês

Se vives numa casa antiga, provavelmente sabes exactamente onde “mora” o frio. O canto da sala junto à janela. A zona do chão perto da porta das traseiras. O patamar do andar de cima onde o vento encontra sempre maneira de entrar quando há tempestade.

O que a maioria das pessoas subestima é como todas essas pequenas correntes de ar se somam. Uma linha fina por baixo de uma porta não parece nada de especial. Mas, numa casa inteira, a soma das folgas pode equivaler ao tamanho de uma janela deixada entreaberta, a sugar silenciosamente o teu aquecimento durante todo o dia.

Pensa na tua casa como um balão ligeiramente furado. Continuas a “bombear” ar quente com a caldeira ou a bomba de calor. Se não tratares os buracos à volta de janelas e portas, esse calor vai escapando. O aquecimento trabalha mais, o conforto evapora-se e a factura vai subindo devagar.

Um simples rolo de fita de espuma passa a parecer muito mais interessante.

Há uma história que os peritos de eficiência energética no Reino Unido contam vezes sem conta. Um casal numa moradia geminada dos anos 1930 que se queixava de que a casa “nunca parece quente”. Já tinham melhorado a caldeira, purgado os radiadores e até comprado cortinas mais grossas. Nada resultava.

Quando o perito chegou com uma câmara térmica, a imagem foi brutal. Riscas azuladas a brilhar à volta de cada caixilho. Um halo frio e intenso em torno da porta de entrada. Calor a fugir por baixo das tábuas do soalho junto à porta das traseiras, como água a escapar de um cano rachado.

Gastaram menos de 80 libras em vedações, escovas e alguns tubos de vedante flexível. Foi um fim-de-semana de bricolage tranquila e ligeiramente aborrecida. A factura seguinte não caiu para metade, mas desceu o suficiente para darem conta. E, mais importante, deixaram de usar camisolas para ver televisão.

Esse padrão repete-se em inúmeras casas antigas. Nada glamoroso. Nada “instagramável”. Apenas menos correntes de ar, contas mais baixas e uma casa que, de repente, mostra a idade de uma forma positiva.

Há uma lógica simples por trás de tudo isto. Aquecer a casa é, basicamente, um jogo de equilíbrio entre o calor que crias e o calor que perdes. As propriedades antigas tendem a ter vidro simples ou duplo antigo, caixilharia ligeiramente deformada, alvenaria que assentou com o tempo e madeira que se mexeu ao longo das décadas.

Essas “manias” cheias de charme criam microfendas. Junto às dobradiças. Por baixo dos peitoris. Entre a porta e o aro. O ar é preguiçoso e oportunista: vai sempre do quente para o frio. Cada fissura é um convite aberto.

Ao vedares essas fugas, não estás apenas a impedir “ar frio de entrar”. Estás a abrandar as rotas de fuga do ar quente a sair. Isso significa que a caldeira ou a bomba de calor funciona em ciclos mais curtos para chegar à mesma temperatura. Sentes-te mais quente com o termóstato um pouco mais baixo. A poupança não é magia: é física, aplicada com um pouco de espuma e bom senso.

Formas práticas de encontrar e vedar as correntes de ar

O passo mais útil é aquele que quase ninguém dá: uma volta lenta à casa num dia de vento, só a prestar atenção. Sem ferramentas, sem gadgets - apenas a tua pele. Pára junto de cada janela e porta. Fecha os olhos. Sente o ar a mexer nas mãos, nos tornozelos, na cara.

Depois, passa a algo mais deliberado. Aproxima um pauzinho de incenso aceso ou uma tira fina de papel de seda às extremidades dos caixilhos e aos rodapés/soleiras. Onde o fumo ou o papel tremelicar, encontraste uma fuga. Marca esses pontos com um pouco de fita de pintor.

Mais tarde, voltas com o teu kit: tiras auto-adesivas de espuma ou borracha para janelas e portas, uma escova de vedação ou um vedante de borracha para a parte inferior das portas, vedante flexível para folgas à volta de aros e peitoris. Ao início é minucioso, mas depois da segunda janela começas a sentir-te estranhamente competente.

Há um perigo neste tipo de projecto: ir longe demais ou fazê-lo nos sítios errados. Algumas casas antigas dependem de um certo nível de ventilação de fundo para manter a humidade e a condensação sob controlo. Se tapares todas as folgas sem pensar, podes trocar uma corrente de ar fria por bolor atrás do roupeiro.

Por isso, trabalhas com o edifício, não contra ele. Mantém as grelhas de ventilação (trickle vents) abertas, se as tuas janelas as tiverem. Não vedes permanentemente tijolos de ventilação (air bricks) nem grelhas ligadas a aparelhos a gás. Concentra-te nos assassinos óbvios do conforto: fechaduras que assobiam, folgas à volta de caixas de correio soltas, aquela linha dramática de luz do dia por baixo da porta das traseiras.

E é perfeitamente aceitável fazer isto por fases. Veda uma divisão, vive com isso durante uma semana e vê como te sentes. O teu corpo é um bom cientista quando lhe dás tempo para notar mudanças.

Os profissionais falam em “vedar bem, ventilar correctamente” - e esta ideia aplica-se na perfeição a casas antigas com personalidade. O objectivo é controlares por onde o ar entra e sai, em vez de deixares o vento decidir.

“A unidade de energia mais barata é aquela que nunca precisas de usar”, diz Mark, perito de eficiência energética doméstica em Leeds. “As pessoas acham que o retorno demora anos. Uma escova de porta de 15 libras pode valer a pena numa única noite de tempestade.”

Uma forma de manter os pés assentes na terra é focar primeiro os ganhos rápidos e deixar os projectos longos para depois. Começa por:

  • Vedantes auto-adesivos de espuma ou borracha nas piores janelas e portas
  • Uma boa escova ou vedante de borracha na porta da frente e na porta das traseiras
  • Uma cobertura simples para a caixa de correio e uma tampa de fechadura bem ajustada

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Não vais transformar a caça às correntes de ar num ritual semanal. Mas um fim-de-semana sincero com um rolo de fita, uma escova de porta e um tubo de vedante pode mudar o humor de todo o teu inverno.

Viver numa casa antiga com menos correntes de ar - e menos cara

O que mais surpreende as pessoas não é a factura. É a sensação. A forma como a casa parece mais silenciosa quando as piores folgas ficam vedadas. A ausência daquele frio fino e sorrateiro na nuca enquanto lês ou trabalhas a partir de casa.

Numa noite fria e chuvosa, notas a diferença ao entrar da rua. Antes, o corredor parecia uma zona de transição entre a rua e a sala. Agora o calor chega mais cedo. Deixas de procurar automaticamente um segundo par de meias.

Num nível mais profundo, vedar as correntes de ar muda a tua relação com o próprio edifício. Casas antigas podem parecer personagens teimosas, determinadas a fazer as coisas à sua maneira. Quando perdes tempo a descobrir por onde “vazam” e a corrigir com cuidado esses pontos fracos, começas a sentir que estás em parceria com a casa - não em luta.

Todos já tivemos aquele momento em que olhamos para a conta do inverno e nos sentimos um pouco impotentes. Vedar folgas não é glamoroso, mas é uma das poucas coisas que podes fazer com impacto directo e visível. Aquele centímetro de espuma à volta do aro, aquela escova que aparafusaste à soleira - vais lembrar-te deles na próxima vez que o vento uivar e as cortinas ficarem quietas.

E não tem de ser perfeito. Uma tira de fita um pouco torta continua a bloquear uma corrente de ar. Uma escova de porta com um parafuso meio solto continua a abrandar o vento. A ideia não é transformar a tua casa antiga numa caixa hermética de laboratório. É desperdiçar menos calor, sentir-te mais confortável e fazer com que o espaço funcione para a vida que realmente vives nele.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Identificar fugas de ar Usar as mãos, fumo ou um tecido para localizar correntes de ar à volta de janelas e portas Permite focar as zonas que realmente desperdiçam energia
Escolher os materiais certos Tiras de espuma/borracha, escovas de porta, vedantes flexíveis adequados a cada tipo de fuga Evita compras desnecessárias e maximiza o efeito na factura
Ventilar de forma inteligente Reduzir fugas incómodas preservando entradas de ar necessárias à saúde da habitação Mantém a casa saudável enquanto reduz as perdas de calor

FAQ:

  • Quanto posso realmente poupar ao vedar correntes de ar? Numa casa típica antiga no Reino Unido, uma vedação direccionada pode reduzir cerca de 5–15% do consumo de aquecimento, dependendo de quão “fugada” a casa é à partida.
  • O que devo vedar e o que devo deixar em paz? Veda à volta de janelas, portas exteriores, escotilhas do sótão e folgas nos rodapés; mantém abertas as grelhas de ventilação (trickle vents), tijolos de ventilação (air bricks) e tudo o que sirva lareiras, salamandras ou aparelhos a gás.
  • Isto vale a pena se eu arrendar a casa? Soluções de baixo impacto e removíveis, como tiras auto-adesivas, “cobras” corta-correntes e capas de caixa de correio de encaixe, podem fazer uma grande diferença sem criarem problemas com o senhorio.
  • Posso fazer isto sozinho ou preciso de um profissional? A maior parte das vedações básicas é bricolage simples; se tiveres dúvidas sobre ventilação ou uma casa antiga complexa, uma auditoria energética doméstica pode orientar-te.
  • Vedar tudo não vai causar humidade ou bolor? Pode causar, se for mal pensado - por isso deves manter abertos os pontos de ventilação previstos e concentrar-te nas fugas óbvias que tornam as divisões desconfortáveis.

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