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Um hidratante clássico, longe das marcas de luxo, foi eleito a escolha número um por especialistas em dermatologia.

Pessoa aplicando creme na mão, usando bata branca. Produtos de beleza e luvas estão sobre a mesa.

Num cinzento sábado de manhã, numa sala de espera de dermatologia cheia, toda a gente segura a mesma coisa: o telemóvel numa mão, um saco de cosmética cara na outra. Tampas douradas. Vidro fosco. Nomes que soam a perfume ou a carros desportivos. Uma jovem, no balcão da receção, sussurra à amiga: “Gastei metade da renda neste creme, tem de resultar.” Atrás da porta, entra um dermatologista com um tubinho branco minúsculo que parece ter saído do fundo de uma prateleira de farmácia em 1998. Sem marca, sem glamour, sem campanha de influencers. Só um rótulo simples e uma fórmula que pouco mudou ao longo de décadas.
A surpresa não é o que falha.
A surpresa é o que funciona, em silêncio.

O creme humilde que continua a vencer os boiões de luxo

Pergunte a dermatologistas, fora do registo oficial, o que usam em casa e as respostas tornam-se subitamente muito simples. Um gel de limpeza suave. Protetor solar. E um hidratante à moda antiga que podia estar ao lado da aspirina em qualquer farmácia. Muitas vezes vem num tubo ou num boião que custa menos do que um almoço take-away, com um nome pouco apelativo e um logótipo discreto. E, ainda assim, é este que volta a aparecer em congressos médicos, em emails tardios entre médicos de pele, nas gavetas das clínicas.
Enquanto as marcas de luxo perseguem novas palavras da moda, os especialistas em dermatologia continuam a regressar ao básico.

Um consultor em Londres conta a mesma história vezes sem conta. Uma doente chega com a casa de banho cheia de séruns: péptidos, caviar, pó de diamante, brumas probióticas. As bochechas estão vermelhas, a pele repuxada, a arder sempre que sai à rua. Gastou centenas, talvez milhares, e só tem irritação para mostrar. O dermatologista pede-lhe, com calma, para parar tudo. Entrega-lhe um creme neutro que se encontra num corredor de supermercado, à base de glicerina e petrolato, originalmente criado há décadas para mãos secas.
Três semanas depois, ela volta. A vermelhidão diminuiu. O repuxar desapareceu. O único produto novo? Esse hidratante simples, com aspeto de stock hospitalar.

Isto acontece mais vezes do que os departamentos de marketing gostariam de admitir. A pele, sobretudo a pele sensível ou fragilizada, não quer fogo de artifício. Quer água, lípidos e uma barreira estável. Fórmulas antigas que usam oclusivos como petrolato, óleo mineral e humectantes simples como glicerina ou ureia podem ser aborrecidas no papel, mas são profundamente reconfortantes para a barreira cutânea. Não prometem juventude num boião; prometem função. Menos fragrância significa menos reações. Menos extratos de plantas significa menos erupções inesperadas. A ciência não é vistosa, mas é estável, revista por pares e, discretamente, invencível.

Como os dermatologistas usam, na prática, estes hidratantes “aborrecidos”

O método é, muitas vezes, surpreendentemente minimalista. Os dermatologistas pedem aos doentes para reduzirem a rotina a um gel de limpeza suave, protetor solar durante o dia e um creme básico, bem tolerado, de manhã e à noite. Aplicam-no com a pele ligeiramente húmida, para que os humectantes consigam “agarrar” alguma água. Não encharcam o rosto: usam uma quantidade do tamanho de uma ervilha e depois reforçam, se necessário, nas bochechas ou à volta do nariz. Para pele muito seca ou com tendência para eczema, podem fazer “slugging” à noite: uma camada fina de uma pomada à base de petrolato por cima do hidratante.
O objetivo não é brilho. O objetivo é selar pequenas fissuras que não se veem, mas que os nervos sentem.

Muita gente pensa que a magia está no décimo passo da rotina. Sérum duplo, essência, bruma, tónico, disco esfoliante, ampola, máscara noturna. Depois perguntam-se porque é que o rosto arde quando sorriem no inverno. Os dermatologistas veem este cenário todos os dias e são surpreendentemente gentis. “Venderam-lhe o sonho”, dizem, e depois tiram, calmamente, a mesma fórmula antiga em que confiam há anos. Pedem-lhe que a use de forma consistente durante quatro a seis semanas, resistindo à vontade de adicionar demasiados “ativos”.
Sejamos honestos: quase ninguém consegue fazer isto todos os dias logo ao início.

Um dermatologista francês resumiu-o num palco de conferência: “O meu creme preferido é o que não tenta impressionar. Só o repara.”

  • A textura costuma ser espessa ao primeiro toque, mas derrete com o calor do corpo.
  • A lista de ingredientes é curta, maioritariamente oclusivos e humectantes, com pouca fragrância ou nenhuma.
  • A embalagem é funcional, quase médica: às vezes com doseador, muitas vezes em tubo.
  • O preço mantém-se baixo porque a fórmula já está amortizada; a investigação foi feita há anos.
  • Os resultados aparecem discretamente: menos vermelhidão, menos descamação, maquilhagem a assentar melhor, aquele repuxar estranho depois do banho a desaparecer.

Porque é que este “creme de avó” pode durar mais do que qualquer tendência

A certa altura, a maioria das pessoas bate na mesma parede: quanto mais acrescenta à rotina, pior a pele se comporta. É geralmente aí que um dermatologista honesto sugere voltar ao básico - e é aí que estes hidratantes à antiga brilham. Não lhe são impostos por uma campanha; são descobertos em threads do Reddit à noite, na casa de banho da avó, na gaveta do consultório. Reparam, em silêncio, a barreira que fórmulas demasiado “sofisticadas” muitas vezes desestabilizam.
Há algo estranhamente calmante em confiar numa fórmula que não precisa de uma festa de lançamento de seis em seis meses.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A barreira vem primeiro Cremes à antiga focam-se em hidratação e proteção, não em tendências Menos irritação, mais conforto a longo prazo
O simples vence o vistoso Listas curtas e estáveis, com oclusivos e humectantes comprovados Menor risco de reações, mais fácil de compreender
Preço ≠ eficácia Fórmulas de farmácia de confiança muitas vezes superam boiões caros Resultados reais sem rebentar o orçamento de skincare

FAQ:

  • Pergunta 1: Um hidratante barato, à moda antiga, pode mesmo ser tão bom como um creme de luxo?
    Sim. Os dermatologistas favorecem frequentemente clássicos de farmácia porque hidratam bem, protegem a barreira e foram testados durante décadas em pele real e problemática.
  • Pergunta 2: Que ingredientes devo procurar nestes cremes “básicos”?
    Procure glicerina, petrolato, óleo mineral, ceramidas, ureia e muito pouca fragrância. Uma lista curta e simples é, em geral, um bom sinal.
  • Pergunta 3: Um creme pesado e tradicional vai entupir os poros?
    Nem sempre. Alguns são formulados para serem não comedogénicos. Se tem tendência para acne, escolha versões indicadas para o rosto ou para pele sensível e faça um teste numa zona pequena.
  • Pergunta 4: Ainda posso usar os meus séruns com um hidratante à moda antiga?
    Sim, mas introduza-os lentamente. Deixe primeiro a barreira recuperar e depois acrescente um ativo de cada vez por baixo do hidratante, observando a reação da pele.
  • Pergunta 5: Quanto tempo até ver resultados ao mudar para um creme mais simples?
    Muitas pessoas sentem menos repuxar em poucos dias, mas uma pele mais calma e resistente costuma notar-se após 3–6 semanas de uso consistente.

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