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O que e categoricamente proibido colocar no micro ondas a maioria das pessoas nem imagina

Pessoa coloca prato com ovos escalfados no micro-ondas, ao lado de uvas, compota e embalagem de alumínio.

Numa cozinha portuguesa em modo “desenrasque”, é fácil cair na tentação de meter no micro-ondas o que estiver mais perto, carregar em “30 segundos” e achar que, se aquece, então está tudo bem. Só que esta confiança instantânea tem o mesmo problema de certas frases automáticas que aparecem do nada - como “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” -: lembram-nos que, quando funcionamos em piloto automático, passamos por cima de regras básicas. No micro-ondas, esse “detalhe” pode transformar um aquecimento banal em faíscas, fumo, plástico a derreter e, em casos extremos, incêndio.

Quase toda a gente aprende a regra do “não metas metal” e fica com a sensação de que o tema está resolvido. O problema é que existem coisas aparentemente inofensivas - usadas todos os dias - que vão parar ao micro-ondas sem pensar… e são precisamente as que dão mais chatices.

O que é categoricamente proibido - e o motivo real (não é drama)

Quando algo é “proibido” no micro-ondas, normalmente encaixa numa destas três categorias: provoca arcos eléctricos, gera pressão e rebenta, ou liberta substâncias nocivas / derrete de forma perigosa. E às vezes consegue fazer as três ao mesmo tempo.

1) Metal (inclui o “metal escondido”)

A regra não é só “talheres nem pensar”. É qualquer coisa que reflita as micro-ondas e crie pontos de descarga.

  • Talheres, arames, clipes, agrafos, arcos de arame em embalagens
  • Tabuleiros e marmitas de alumínio
  • Recipientes com rebordos metálicos, tampas metálicas ou fechos
  • Pratos e chávenas com filetes dourados/prateados (muita gente esquece isto)

O risco não é apenas estragar a louça bonita. As faíscas podem danificar o magnetrão (a peça cara do aparelho) e, no pior cenário, pegar fogo a resíduos de gordura ou papel por perto.

2) Recipientes completamente herméticos (sem válvula)

Aqui vive uma das explosões mais comuns: o recipiente “ideal” para levar almoço, com uma tampa que fecha a 100%.

  • Tupperwares sem válvula de vapor
  • Frascos de vidro com tampa enroscada
  • Caixas de take-away com tampa rígida bem selada

Lá dentro, o líquido e a humidade viram vapor. Se o vapor não tiver por onde sair, a pressão sobe até “dar de si” - e quando dá, é no micro-ondas e na tua cara quando abres a porta.

3) Ovos inteiros (e gemas “presas”)

Um ovo com casca no micro-ondas é praticamente uma armadilha clássica. A água no interior aquece depressa, produz vapor, e a casca (ou a membrana) segura a pressão.

Mesmo sem casca, a gema intacta também pode rebentar, porque funciona como uma “bolsa” selada. O resultado costuma ser um estoiro seco, o interior todo sujo e risco de queimaduras por salpicos.

4) Uvas (sim, uvas)

Parece lenda da internet até se ver acontecer. Uvas cortadas ao meio, encostadas, ou em certas condições, podem criar pontos de concentração de energia e gerar faíscas/descargas. Não é um “truque científico” para fazer em casa; é uma maneira rápida de assustar, sujar e potencialmente estragar o micro-ondas.

5) Esferovite e plásticos não próprios para micro-ondas

Algumas embalagens de take-away parecem “de plástico”, mas são espuma (esferovite) ou plástico fino sem certificação para calor.

  • Esferovite: pode deformar, libertar odores e compostos indesejáveis
  • Plásticos finos: derretem, colam à comida, empenam e podem libertar substâncias

A regra prática é simples: se não tiver indicação clara de “microwave safe”/símbolo próprio, não entra.

6) Papel e cartão com tintas, brilho ou cola (o perigo discreto)

Guardanapos simples e papel de cozinha costumam ser usados com algum cuidado, mas há papel que parece inocente e não é:

  • Caixas e copos de cartão com revestimento brilhante
  • Papel com impressões fortes, tintas ou colas
  • Sacos de papel muito secos e finos (sobretudo vazios ou quase vazios)

O perigo aqui é o sobreaquecimento localizado: o papel carboniza, a cola aquece, e o micro-ondas vira um pequeno “forno de incêndio”.

O que as pessoas fazem (e o momento exacto em que dá para o torto)

Há um padrão: não é a pessoa “distraída”. É a pessoa normal, num dia normal, a tentar ganhar 2 minutos.

Um cenário típico é aquecer sobras na própria embalagem de take-away e pensar: “É só um bocadinho.” A embalagem tem um rebordo metalizado, ou uma tampa rígida que veda demasiado bem, e ao fim de 40 segundos começam os estalos, aparece o cheiro a queimado e surge aquela luz azulada de faísca que faz o coração cair.

Outro clássico é o copo térmico. Por fora parece plástico, mas por dentro tem uma película metálica para manter a temperatura. No micro-ondas, isso não é “tecnologia”; é um convite a arcos eléctricos.

Como verificar rapidamente se um recipiente é seguro (sem adivinhar)

Em vez de depender do “acho que dá”, usa estes sinais rápidos:

  • Vidro e cerâmica lisos (sem dourados/prateados): geralmente seguros
  • Plástico com símbolo de micro-ondas: ok, mas evita aquecimentos longos e comidas muito gordurosas (a gordura aquece mais)
  • Tampa sempre entreaberta ou com válvula: para evitar pressão
  • Se o recipiente cheirar a químico quando aquece, não voltes a usar

E uma regra que corta muitos acidentes: aquece em intervalos curtos (30–60 segundos), mexe a meio e deixa repousar 30 segundos. O repouso ajuda a distribuir o calor e reduz “bolsas” superquentes.

Alternativas seguras (e o que fazer quando já fizeste asneira)

Se já meteste algo “duvidoso” e viste faíscas, a prioridade é simples: pára imediatamente.

  1. Desliga o micro-ondas (ou interrompe o programa).
  2. Mantém a porta fechada alguns segundos, se houver fumo (para não alimentar chamas).
  3. Retira o objecto com cuidado e confirma se ficou algum resíduo queimado.
  4. Se o cheiro a queimado persistir, limpa o interior quando arrefecer (resíduos carbonizados tendem a voltar a criar faíscas).

Para o dia-a-dia, o kit mental é este: vidro + prato + tampa própria com respiro. Parece básico, mas é o que mais baixa o risco.

Item a evitar Risco principal Alternativa segura
Metal / dourados / alumínio Faíscas, incêndio, dano do aparelho Vidro ou cerâmica sem decoração metálica
Recipiente hermético Explosão por pressão Tampa entreaberta ou com válvula
Plástico não próprio / esferovite Derrete, liberta compostos, contamina Recipiente “microwave safe” ou vidro

O “proibido” não é só para proteger o micro-ondas - é para proteger-te a ti

O micro-ondas aquece depressa, mas não aquece de forma “inteligente”. Não sabe se estás a criar uma armadilha de pressão com uma tampa, nem se aquele prato tem um fio metálico quase invisível. E quando corre mal, corre rápido: faísca, estoiro, queimadura, susto.

Se tiveres de escolher uma única mudança para hoje, que seja esta: não aqueças comida em embalagens de origem (take-away, copos, caixas) a não ser que tenhas a certeza absoluta do material. Passar para um recipiente de vidro demora 10 segundos - e poupa-te o resto do dia.

FAQ:

  • O papel de alumínio é sempre proibido? Sim, no micro-ondas é, porque reflecte a energia e pode criar arcos eléctricos. Se precisares de “cobrir”, usa tampa própria para micro-ondas ou papel vegetal apropriado (sem metais) com ventilação.
  • Posso aquecer comida em caixas de take-away? Só se o recipiente for claramente próprio para micro-ondas e não tiver partes metalizadas. Quando não há símbolo ou informação, o mais seguro é transferir para vidro/cerâmica.
  • Porque é que a comida às vezes “rebenta” mesmo em recipientes seguros? Normalmente é vapor preso (tampa fechada) ou aquecimento irregular que cria bolsas muito quentes. Aquece por intervalos, mexe e deixa repousar.
  • As chávenas com riscas douradas fazem mesmo faíscas? Podem fazer, sim. Depende da quantidade e do tipo de pigmento metálico, mas é um risco real e evitável.
  • Qual é o material mais “à prova de erro”? Vidro próprio para forno/micro-ondas e cerâmica sem elementos metálicos, sempre com cobertura ventilada para evitar salpicos e pressão.

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