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Como manter a casa quente e poupar no aquecimento especialista partilha conselhos simples

Mãos a aplicar fita vedante na janela com termómetro digital e aquecedor ao fundo.

Quando a casa está quente… mas a conta não perdoa

Há invernos em que a casa até parece “morna”, mas o desconforto não desaparece: alguém fica de casaco na sala, as mãos gelam e, no fim do mês, a fatura cai como um balde de água fria. Nessas alturas, dá vontade de desligar tudo e aceitar o frio - só para não ver o valor a subir.

O problema raramente é só “a casa ser fria”. Na maior parte das vezes, é a soma de pequenas ineficiências - uma fresta numa janela, uma divisão aquecida sem necessidade, um horário mal ajustado - que faz o aquecimento trabalhar mais horas do que deveria.

O engenheiro e auditor energético João Ferreira explica que “o conforto térmico depende tanto da temperatura como da sensação: correntes de ar e humidade alta fazem 20 ºC parecerem 17 ºC”. Por isso, mudanças que parecem pequenas no papel notam-se logo no corpo, ainda no próprio dia.

A regra de ouro: não aqueça o que não usa (nem o que não precisa)

Antes de pensar em trocar equipamentos, comece pelo mais simples - e que muita gente esquece quando o frio aperta: aquecer espaços por hábito. Um corredor, uma casa de banho usada 10 minutos, um quarto vazio “para ficar agradável”.

Em casas com aquecimento central, isto costuma traduzir-se em radiadores sempre abertos. Com aquecedores elétricos, acontece quando se liga um aparelho “só um bocadinho” em várias divisões ao longo do dia - e esse “bocadinho” acaba por aparecer na conta.

Ajuste rápido (sem obras):

  • Feche portas para criar “zonas” e aqueça apenas onde está.
  • Baixe 1 ºC no termóstato e compense com conforto (tapete, manta, roupa em camadas). Um grau pode representar uma poupança relevante ao longo do mês.
  • Defina um horário fixo (manhã/noite) em vez de “ir ligando quando dá frio”.

O truque do termóstato que poupa sem sacrificar conforto

O especialista recomenda evitar extremos: pôr no máximo para “aquecer depressa” e depois desligar. Isto cria picos de consumo e, em casas com isolamento fraco, o calor desaparece rapidamente.

Uma abordagem geralmente mais eficiente passa por: 1. Temperatura-alvo estável (por exemplo, 19–20 ºC nas zonas de estar). 2. Redução noturna (por exemplo, 17–18 ºC), em vez de desligar totalmente. 3. Antecipação: ligar 30–60 minutos antes de usar a divisão, e não quando já está gelada.

A lógica é simples: o sistema passa menos tempo em “modo esforço” e mais tempo em “modo manutenção”.

Correntes de ar: o inimigo barato (e mais fácil de vencer)

Muita gente confunde “casa fria” com “casa pouco aquecida”, quando o problema real é “casa com fugas”. Uma pequena fresta numa janela pode gerar uma corrente de ar que estraga a sensação térmica, mesmo com o radiador ligado.

Um teste rápido num dia de vento: passe a mão junto a janelas, caixas de estore, tomadas em paredes exteriores e soleiras. Se sentir ar a circular, está a deixar calor escapar.

Correções simples e de baixo custo:

  • Vedantes autocolantes em janelas e portas (mesmo os mais simples já ajudam).
  • “Salsichas” de porta (compradas ou feitas com tecido) para travar o ar frio na base.
  • Cortinas mais pesadas à noite; de manhã, abra-as para aproveitar o sol.
  • Tapetes em zonas de passagem: o chão frio “rouba” conforto mesmo com o ar quente.

João Ferreira resume assim: “Primeiro tiramos o vento de dentro de casa; só depois vale a pena discutir temperaturas.”

Radiadores e aquecedores: pequenos ajustes, ganhos silenciosos

Há hábitos que parecem pormenores, mas aumentam claramente a eficiência do aquecimento:

  • Não tape radiadores com roupa a secar ou com sofás encostados. O calor fica bloqueado e a divisão demora mais a aquecer.
  • Purgue radiadores se houver zonas frias no topo. Ar no circuito = menos calor com o mesmo gasto.
  • Use folha refletora atrás de radiadores em paredes exteriores (sobretudo em casas antigas). Ajuda a “devolver” calor para dentro.
  • Limpe filtros e grelhas (em termoventiladores, ar condicionado/AC em modo aquecimento, etc.). Fluxo de ar reduzido = mais tempo ligado.

Se usa AC para aquecer, confirme o essencial: portas fechadas, temperatura realista e ventilação orientada para a zona ocupada. Um AC em modo aquecimento pode ser eficiente, mas perde vantagem se estiver a “lutar” contra fugas e portas abertas.

Humidade: a parte invisível que torna tudo mais frio

Uma casa húmida parece mais fria do que uma casa seca à mesma temperatura. Não é apenas impressão: a humidade aumenta a perda de calor do corpo, e as paredes frias tornam-se ainda mais desconfortáveis.

Mas atenção ao erro clássico: fechar tudo “para guardar calor” e acabar com condensação. O conselho do especialista é ventilar de forma curta e eficaz:

  • 5 a 10 minutos de janelas abertas (idealmente com corrente), em vez de microaberturas o dia inteiro.
  • Depois, feche e deixe o aquecimento recuperar - já com ar mais seco.

Se houver problemas persistentes de bolor/condensação, um desumidificador em modo controlado pode compensar - muitas vezes melhora o conforto e reduz a vontade de subir graus no termóstato.

“Há casas onde a melhor ‘poupança’ é tornar o ar mais seco. As pessoas sobem o aquecimento quando o que faltava era tirar humidade”, conta João Ferreira.

Um mini-plano de 30 minutos para hoje à noite

Sem obras, sem grandes compras, com impacto imediato:

  • Faça “zonas”: feche portas e aqueça só a divisão principal.
  • Desbloqueie o calor: afaste objetos de radiadores e saídas de ar.
  • Baixe 1 ºC e coloque um tapete/manta onde costuma estar sentado.
  • Feche cortinas ao anoitecer; abra de manhã para aproveitar o sol.
  • Ventile 5 minutos e volte a fechar (melhor ar, menos sensação de frio pegajoso).

No fim, o objetivo não é viver com frio para poupar. É deixar de pagar por perdas que nem deviam acontecer.

Ação Custo típico Efeito esperado
Vedantes em janelas/portas Baixo Menos correntes, mais conforto
Baixar 1 ºC no termóstato Zero Poupança constante ao longo do mês
Cortinas pesadas + tapetes Baixo–médio Melhor sensação térmica à noite

FAQ:

  • Qual é uma temperatura “normal” para aquecer a casa no inverno? Em muitas casas, 19–20 ºC nas zonas de estar é um bom equilíbrio. O mais importante é manter consistência e reduzir perdas (correntes e humidade).
  • Vale a pena desligar o aquecimento durante a noite? Nem sempre. Em várias casas compensa mais baixar alguns graus do que desligar por completo, porque reaquecer paredes e ar muito frios pode exigir picos de consumo.
  • Secar roupa em casa aumenta a fatura? Pode aumentar, indiretamente: sobe a humidade e a casa “pede” mais aquecimento para parecer confortável. Se tiver de secar dentro, ventile de forma curta e eficaz.
  • Aquecer só uma divisão com aquecedor elétrico é sempre mais barato? Depende do aparelho e do tempo de uso. Se for por longos períodos, as perdas e o consumo acumulam; por isso, vedar frestas e criar zonas costuma trazer ganhos maiores do que “mudar de aparelho”.
  • Como sei se tenho correntes de ar importantes? Se sentir ar a mexer junto a janelas, caixas de estore, soleiras ou tomadas em paredes exteriores, há fuga. Vedantes e bloqueadores de porta costumam resolver grande parte sem obras.

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